Trump estuda se candidatar novamente em 2024 (e sem Mike Pence)

Segundo fontes ouvidas pela agência Bloomberg, o ex-presidente avalia cada vez mais concorrer novamente. Apesar das críticas no Partido Republicano, parece haver espaço

Donald Trump anda longe dos holofotes desde que deixou a presidência dos Estados Unidos, em 20 de janeiro. Mas, nos bastidores, enquanto o Partido Republicano decide sua estratégia para os temas importantes do governo de Joe Biden -- do pacote de estímulo ao combate à pandemia --, as discussões sobre o futuro eleitoral já caminham a todo o vapor.

Com os republicanos ainda sem um substituto encaminhado para Trump, o ex-presidente tem dito a aliados que considera de fato se candidatar novamente ao cargo em 2024, próxima data de eleições presidenciais americanas. A informação foi publicada nesta quarta-feira, 3, pela agência Bloomberg, com base em fontes próximas ao ex-presidente.

No domingo, 28 de fevereiro, Trump participou da Conservative Political Action Conference, um já tradicional evento de conservadores de direita nos EUA. No evento, sua primeira aparição pública após deixar a Casa Branca, Trump falou sobre 2024, mas não confirmou ainda a candidatura. "Quem sabe? Eu talvez decida derrotá-los uma terceira vez", disse, voltando a afirmar que ganhou as eleições de 2020.

Uma pesquisa da Universidade Harvard com o instituto Harris Insights and Analytics feita entre 23 e 25 de fevereiro mostrou que 42% dos eleitores republicanos preferem Trump como o candidato do partido em 2024. Outros 18% preferem o ex-vice Mike Pence e a preferência a outros nomes (como o senador Ted Cruz) fica em menos de 5%.

Assim, se Trump decidir concorrer, será difícil que o partido decida barrá-lo. Além disso, o aguardo por uma oficialização da posição de Trump na próxima corrida eleitoral pode fazer com que vários possíveis pré-candidatos republicanos se retraiam nas aparições até que o ex-presidente se decida.

Segundo as fontes, o ex-presidente também discutiu nomes alternativos para o cargo de vice, que foi de Mike Pence em seu último mandato, entre 2017 e 2020.

A relação com Pence ficou desgastada após o vice, já no fim do mandato, não ter apoiado publicamente as alegações de Trump de que a eleição de novembro foi fraudada. A eleição presidencial terminou com vitória de Joe Biden tanto no voto majoritário quanto no colégio eleitoral, resultado que importa nos EUA (Biden venceu por 306 delegados a 232, mesmo resultado de Trump em 2016).

A gota d'água foi quando Pence, no papel de presidente do Senado que cabe aos vices nos EUA, presidiu a sessão que confirmou a vitória de Biden. A sessão foi o que motivou a invasão ao Capitólio por extremistas, que adentraram o Congresso durante a votação, em 6 de janeiro. Trump chegou a sofrer um processo de impeachment (rejeitado pelo Senado) por "incitação à insurreição" ao, segundo a acusação, incentivar os apoiadores a praticarem os atos violentos.

Segundo a Bloomberg, Trump e Pence ficaram sem se falar por dias após a sessão de 6 de janeiro.

Apesar de a próxima eleição estar ainda distante, aliados de Trump também têm cada vez mais aconselhado o ex-presidente a encontrar outro nome para sua futura chapa. Entre as opções estão a governadora da Dakota do Sul, Kristi Noem (que chegou a ser ventilada como possível substituta de Pence ainda durante o mandato de Trump).

Kristi Noem, governadora da Dakota do Sul: possível escolha de Trump para uma chapa em 2024

Kristi Noem, governadora da Dakota do Sul: possível escolha de Trump para uma chapa em 2024 (Octavio Jones/Reuters)

Um dos filhos de Trump, Donald Trump Jr., fará nesta sexta-feira, 5, um evento para arrecadar fundos para campanhas de Noem em Mar-a-Lago. O resort é onde o ex-presidente passou a viver após deixar a Casa Branca. Trump, segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg, planeja participar do evento organizado pelo filho.

Outro nome que começa a ser ventilado é do senador Tim Scott, o único senador republicano negro no Senado. Nesta terça-feira, 2, Trump deu apoio público à candidatura do senador à reeleição.

O grande dilema nas discussões ainda iniciais sobre uma candidatura Trump reside no Partido Republicano. Apesar de críticas feitas por parte do partido ao presidente e do processo de impeachment pela invasão ao Capitólio, o apoio amplo de Trump entre quase metade da base republicana pode pesar na conta.

Enquanto isso, no Partido Democrata, a tendência é que Joe Biden, de 78 anos, não concorra à reeleição. A principal aposta é na vice-presidente Kamala Harris, de 56 anos.

O caminho até a próxima eleição será longo, e os próximos anos do governo Biden, assim como a postura do Partido Republicano para com Trump, definirão se uma candidatura do ex-presidente em 2024 será mesmo viável.

 

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 3,90/mês
  • R$ 9,90 após o terceiro mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 99,00/ano
  • R$ 99,00 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 8,25 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.