Presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, em encontro para discutir a relação bilateral entre os países (AFP)
Repórter de ESG
Publicado em 12 de setembro de 2026 às 16h25.
Última atualização em 12 de setembro de 2026 às 16h31.
Mais de um século após a divisão da ilha da Irlanda, a possibilidade de uma reunificação voltou ao centro do debate político neste sábado, 12.
Durante uma visita a Dublin, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que “adoraria ver” a Irlanda do Norte deixar o Reino Unido e se unir à República da Irlanda, afirmando que o processo “vai acontecer eventualmente”.
Ao lado do primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, após uma reunião na capital do país, Trump classificou uma eventual unificação como “uma coisa fantástica”.
O presidente americano reconheceu, porém, que o Reino Unido terá papel decisivo na questão.
“Do meu ponto de vista, isso acabará acontecendo. Pode muito bem acontecer agora”, disse Trump a jornalistas.
A ilha da Irlanda é dividida entre a República da Irlanda, país independente ao sul, e a Irlanda do Norte, que integra o Reino Unido desde 1921. A separação está no centro de uma disputa histórica entre nacionalistas irlandeses, que defendem a reunificação, e unionistas, que querem manter o território ligado ao Reino Unido.
O tema ganhou novos contornos após o Acordo da Sexta-Feira Santa, firmado em 1998, que encerrou três décadas de conflito conhecido como The Troubles, período de violência sectária que deixou cerca de 3 mil mortos.
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Pelo acordo, um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido só pode ser convocado pelo governo britânico caso haja evidências de que a maioria da população do território apoiaria a reunificação.
A população da República da Irlanda também precisaria aprovar a mudança em uma votação separada.
A visita de Trump à Irlanda também foi marcada por manifestações na capital. Centenas de pessoas foram às ruas de Dublin neste sábado, 12, para protestar contra a presença do presidente americano no país.
Os manifestantes carregavam cartazes com críticas à política externa dos Estados Unidos e à atuação de Trump. Entre as mensagens exibidas estavam frases como “as pessoas da Irlanda não querem Trump aqui”, “não aos planos dos EUA, sem guerra” e acusações de que o presidente seria “fascista” e “genocida”.
Outros cartazes diziam que Trump teria causado “demasiado sofrimento” no mundo.
(Photo by Arthur Carron / AFP) (AFP)
O presidente americano chegou à Irlanda para uma visita de dois dias. Após passar algumas horas em Dublin, onde se reuniu com autoridades locais para compromissos diplomáticos, o presidente seguiu para o oeste do país, onde fica o Trump International Golf Links, seu campo de golfe, para acompanhar o Irish Open.
A declaração de Trump ocorre semanas após o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmar que um referendo sobre a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido estava “fora de questão”.
Após a fala do presidente americano, fontes do gabinete de Burnham disseram à Reuters que a posição do governo britânico permanece inalterada.
Pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, a decisão sobre convocar uma consulta popular cabe ao governo britânico, que deve avaliar se existe uma maioria provável favorável à reunificação entre os eleitores da Irlanda do Norte.
(Photo by Arthur Carron / AFP)