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Trump diz que Otan terá ‘futuro ruim’ se não apoiar EUA na guerra com Irã

Presidente dos EUA disse que aliados devem ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz e afirmou que pode adiar cúpula com Xi Jinping prevista para este mês

Donald Trump: presidente americano concedeu entrevista ao jornal Financial Times (Kenny HOLSTON / POOL /AFP)

Donald Trump: presidente americano concedeu entrevista ao jornal Financial Times (Kenny HOLSTON / POOL /AFP)

Publicado em 16 de março de 2026 às 07h35.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pode enfrentar um “futuro muito ruim” caso não ajude a reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado após a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Em entrevista ao jornal Financial Times no último domingo, 15, o presidente afirmou que os países que dependem do petróleo que passa pela região deveriam participar da operação para garantir a segurança da rota marítima. Cerca de um quinto do petróleo mundial transita pelo estreito.

“É justo que os beneficiários do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali”, disse Trump, ao argumentar que Europa e China dependem fortemente do petróleo do Golfo, ao contrário dos Estados Unidos.

“Se não houver resposta, ou se a resposta for negativa, acho que isso será muito ruim para o futuro da Otan”, afirmou.

A declaração foi feita um dia depois de Trump pedir que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido se unam a um “esforço de equipe” para reabrir a passagem.

O Irã fechou, na prática, o estreito após o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o país, o que elevou temores de um choque nos preços da energia.

No domingo, o preço internacional do petróleo chegou a US$ 106 por barril, alta de aproximadamente 45% em relação a cotação registrada no início do conflito.

Pressão sobre aliados

Ao Financial Times, Trump afirmou que a Otan pode ser afetada caso os aliados não respondam ao pedido dos Estados Unidos.

O presidente disse que os parceiros poderiam contribuir com navios varredores de minas, equipamentos que, segundo ele, a Europa possui em maior número do que os Estados Unidos, além de outras formas de apoio militar na região.

Trump também mencionou a possibilidade de envio de forças especiais para lidar com ameaças no litoral iraniano, como drones e minas marítimas.

Ele também demonstrou frustração com a resposta do Reino Unido ao conflito. “O Reino Unido pode ser considerado o aliado número um, o mais antigo e assim por diante, e quando pedi que viessem, eles não quiseram vir”, disse o presidente.

“E assim que basicamente eliminamos a capacidade de ameaça do Irã, eles disseram: ‘bem, vamos enviar dois navios’. E eu disse: ‘precisamos desses navios antes de vencer, não depois de vencer’. Há muito tempo digo que a Otan é uma via de mão única.”

Encontro com Xi Jinping

Trump também disse que espera que a China ajude a desbloquear o estreito antes de sua viagem a Pequim no fim deste mês para uma cúpula com Xi Jinping, que pode ser adiada.

“Acho que a China também deveria ajudar, porque o país recebe 90% do seu petróleo pelos estreitos [sic]”, disse Trump. Segundo ele, esperar até a cúpula seria tarde demais.

O comentário foi feito ao mesmo tempo em que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, se reúne em Paris com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng para discutir os preparativos da cúpula.

Escalada militar

Trump também afirmou ao Financial Times que os Estados Unidos podem realizar novos ataques contra a infraestrutura petrolífera iraniana, incluindo a ilha de Kharg, principal terminal de exportação do país.

Segundo ele, a capacidade militar do Irã teria sido amplamente destruída nas últimas duas semanas de guerra. Ainda assim, o presidente reconheceu que ações como minas marítimas podem continuar causando riscos na região.

Ao ser questionado sobre uma possível ajuda da Rússia ao Irã com dados de satélite para atingir sistemas antimísseis dos Estados Unidos e de Israel, Trump afirmou que não sabe se Moscou está prestando esse tipo de apoio.

Segundo ele, como os Estados Unidos também ajudaram a Ucrânia na guerra com a Rússia, seria difícil criticar esse tipo de ação agora.

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