Donald Trump: presidente dos Estados Unidos discursou sobre a guerra no Irã em evento em Miami, na Flórida (Chip Somodevilla/Getty Images/Getty Images)
Repórter
Publicado em 27 de março de 2026 às 20h50.
Última atualização em 27 de março de 2026 às 20h58.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira, 27, durante evento em Miami, que os EUA seguem “aniquilando” a capacidade militar do Irã. O republicano afirmou que as forças americanas avançam sobre estruturas militares iranianas e reiterou que o país estaria em negociação.
Segundo Trump, as operações incluem a destruição de arsenais, instalações estratégicas e a neutralização da Marinha iraniana.
“Estamos mais perto do que nunca de um Oriente Médio finalmente livre da agressão terrorista iraniana e da chantagem nuclear”, disse.
As falas ocorrem no contexto da escalada do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro.
Durante o discurso, Trump também direcionou críticas à condução do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, sucessor de Ali Khamenei, morto em ação conjunta de EUA e Israel no início do conflito. Mojtaba não tem realizado aparições públicas frequentes. Informações atribuídas ao jornal The New York Times indicam que o líder mantém perfil discreto.
Trump afirmou que as ações militares provocaram instabilidade na liderança iraniana, que, segundo ele, "vai e vem a cada dois dias".
"Todo mundo tem medo de anunciar quem é o chefe. Nem sabemos quem diabos é o líder", disse. “Este é o único país onde ninguém quer liderar”, completou.
Ao mencionar operações militares em diferentes países, Donald Trump declarou que “Cuba é o próximo”, ao citar ações dos EUA no Irã e na Venezuela.
“E Cuba é a próxima, aliás, mas finjam que eu não disse isso, por favor”, disse Trump, em tom de piada.
E acrescentou: “Finjam que eu não disse isso. Por favor, por favor, por favor, imprensa, por favor, ignorem essa declaração. Muito obrigado. Cuba é a próxima”, completou.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou mais cedo que defende uma mudança de regime em Cuba como condição para alterações no cenário econômico da ilha. A fala ocorreu durante agenda em Paris, após reunião de ministros das Relações Exteriores do G7.
Rubio afirmou que o atual modelo político cubano impede transformações estruturais na economia.
“A economia de Cuba precisa mudar, e essa mudança só acontecerá se o sistema de governo mudar. É simples assim”, disse Rubio a jornalistas.
Segundo o secretário, Cuba foi um dos temas abordados no encontro do G7, grupo que reúne as principais economias industrializadas. Ele também declarou que, sob a atual liderança, “o povo cubano está sofrendo” e que o país não consegue “se integrar ao século XXI”.
A estratégia dos EUA para reabrir o estreito de OrmuzESTREITO DE ORMUZ - 17 DE JANEIRO DE 2026: Imagem de satélite do Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento crucial para o fornecimento global de energia e o comércio marítimo, em 17 de janeiro de 2026. Esta via navegável estratégica conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, ligando as exportações de petróleo e gás do Oriente Médio aos mercados internacionais. (Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026/Getty Images)
O presidente americano mencionou o Estreito de Ormuz como "Estreito de Trump" durante o discurso realizado em Miami Beach.
Ao falar sobre a região estratégica para o transporte global de petróleo, Trump utilizou a expressão e, em seguida, corrigiu o termo diante do público. "Eles têm que abrir, têm que abrir o Estreito de Trump. Quer dizer, Ormuz", afirmou.
Em seguida, o presidente reagiu à própria fala e disse: "Desculpem, me desculpem. Que erro terrível", em tom de brincadeira.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o escoamento de petróleo no mundo e tem sido citado com frequência em discursos recentes do governo americano. A menção ocorre em meio a declarações recorrentes de Trump sobre segurança marítima e fluxo de energia na região do Golfo Pérsico.
O presidente dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira, 27, que ainda restam "3.554" alvos a serem atingidos no Irã. Segundo o republicano, as ações militares previstas devem ocorrer em curto prazo.
Trump declarou que “isso será feito muito rapidamente” e acrescentou que o Irã, anteriormente descrito por ele como uma potência, "não é mais".
“Eles nunca viram nada parecido”, disse o presidente americano.
Nesta quinta-feira, 26, Trump anunciou a extensão da suspensão de ataques contra instalações de energia iranianas por mais 10 dias. A medida, que terminaria nesta sexta-feira, 27, passa a valer até segunda-feira, 6 de abril.
“A pedido do governo iraniano, esta declaração serve para informar que estou suspendendo o período de destruição de usinas de energia por 10 dias, até segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h, horário do leste dos EUA. As negociações estão em andamento e, apesar das declarações errôneas em contrário da mídia de notícias falsas e de outros, estão indo muito bem”, disse o presidente em publicação na rede social Truth Social, plataforma digital criada pelo próprio Trump.
A suspensão temporária ocorre em meio a negociações em andamento, segundo o governo americano, apesar de declarações divergentes sobre o estágio das conversas. Governo dos EUA espera encerrar operações no Irã 'nas próximas duas semanas', diz RubioSegundo veículos da imprensa americana, os Estados Unidos encaminharam nesta semana um plano com 15 pontos voltado ao encerramento do conflito. O documento prevê compromissos relacionados ao programa nuclear iraniano e à atuação militar do país.
Entre os termos estão:
O governo iraniano rejeitou a proposta e classificou o plano como "excessivo e desconectado da realidade". Autoridades em Teerã afirmaram que Trump não definirá os termos para o fim do conflito.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta quarta-feira, 25, que os Estados Unidos "reconhecem a derrota" ao mencionar negociações. Segundo ele, os contatos existentes são indiretos.