Repórter
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 21h04.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, 14 de janeiro, que as mortes registradas durante a repressão aos protestos no Irã "estão diminuindo" e que não há indícios de planos para execuções em massa de manifestantes.
A declaração ocorre em meio à crescente preocupação no Oriente Médio sobre uma possível ação militar americana, após ameaças públicas do presidente de intervir em apoio aos protestos.
As declarações foram dadas durante evento no Salão Oval da Casa Branca, enquanto diplomatas e analistas alertam para os riscos de uma intervenção direta. Trump não descartou a possibilidade de uma ofensiva militar, afirmando que “vai observar como o processo se desenrola”.
Crise no Irã: entenda o que está acontecendo, e por que isso importaEspecialistas consultados pela agência Reuters avaliam que qualquer ofensiva dos EUA pode ter efeito contrário ao desejado, desmobilizando os protestos, fortalecendo a repressão e provocando reações do governo iraniano, como o lançamento de mísseis contra bases dos EUA na região.
Segundo fontes diplomáticas, uma ofensiva poderia acelerar o colapso do regime iraniano, abrindo espaço para insurgências internas de minorias étnicas — como curdos e balúchis — e comprometendo o controle sobre arsenais de mísseis e programas nucleares.
Embora relatórios de inteligência dos EUA tenham apontado que os protestos representam um desafio significativo ao regime, fontes consultadas pela agência de notícias indicam que o governo iraniano ainda não estaria próximo de colapsar. O movimento nas ruas é considerado o maior desde a Revolução Islâmica, em 1979, com milhares exigindo a saída do governo teocrático.
Um funcionário iraniano informou sob condição de anonimato que mais de 2 mil pessoas morreram desde o início dos protestos, em 28 de dezembro. Já organizações de direitos humanos estimam mais de 2.600 mortos — números considerados subestimados por analistas internacionais.
Durante o pronunciamento, Trump afirmou que informações recebidas por “fontes muito importantes do outro lado” indicavam a redução da repressão e que não há planos para execuções. No entanto, ele reforçou que os Estados Unidos seguem monitorando a situação e que recebeu uma “declaração muito boa” do Irã.
Governos árabes aliados dos EUA demonstraram inquietação. Segundo um diplomata regional, líderes do Golfo Pérsico estariam “em pânico” diante da possibilidade de ataques americanos e teriam pedido moderação a Washington e Teerã.
A tensão aumentou após os Estados Unidos iniciarem a retirada parcial de seus funcionários diplomáticos, após declarações de um alto oficial iraniano indicando que bases americanas poderiam ser alvos de retaliação.
Abdullah Mohtadi, líder do Partido Komala, grupo curdo que defende a transição para uma democracia secular, argumenta que apenas uma intervenção significativa pode conter os assassinatos de manifestantes. Para ele, a ameaça de separatismo é superestimada e a oposição teria capacidade para coordenar uma transição.
Donald Trump, que em junho ordenou ataques a três instalações nucleares iranianas durante confronto entre Israel e Irã, evitou detalhar quais ações pretende tomar. Um assessor da Casa Branca confirmou à Reuters que diversas opções, incluindo ataques pontuais a alvos militares simbólicos, estão em análise.
Especialistas apontam que, diante das reiteradas promessas públicas, Trump pode se ver forçado a agir militarmente caso a repressão continue, sob pena de perder credibilidade internacional.
Behnam Ben Taleblu, da Fundação para a Defesa das Democracias, destaca que os efeitos dos ataques dependerão dos alvos escolhidos. Segundo ele, ofensivas vistas como simbólicas podem enfraquecer os protestos, enquanto ações mais estratégicas poderiam impactar as forças de segurança.
Jon Alterman, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, defende que medidas como interrupção de fluxos financeiros e ataques cibernéticos teriam mais eficácia, ampliando o tempo de mobilização popular. Para ele, uma ofensiva militar criaria expectativa de resultado imediato, o que pode se voltar contra os interesses americanos.
Um assessor da Casa Branca afirmou que a postura de Trump visa demonstrar que os EUA não hesitam em usar força militar, citando como exemplo o ataque que teria derrubado o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, no início de janeiro.