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Trump diz que cancelar viagem de enviados ao Paquistão não significa retomada da guerra com Irã

Trump diz que decisão sobre viagem ao Paquistão não aponta para nova ofensiva

Donald Trump: segundo o presidente, a decisão foi tomada pouco antes da partida da equipe (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images/Getty Images)

Donald Trump: segundo o presidente, a decisão foi tomada pouco antes da partida da equipe (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc via Getty Images/Getty Images)

Publicado em 25 de abril de 2026 às 13h46.

Última atualização em 25 de abril de 2026 às 21h24.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 25, que o cancelamento da viagem de seus enviados a Islamabad, no Paquistão, não significa, automaticamente, a retomada da guerra com o Irã.

Questionado sobre o tema em entrevista ao Axios, Trump respondeu: "Não. Não significa isso. Ainda não pensamos a respeito."

A declaração ocorre em meio a um revés nas tentativas de retomada das negociações de paz, que vinham sendo mediadas pelo Paquistão.

Enviados não viajarão ao Paquistão

Em entrevista à Fox News neste sábado, Trump afirmou que ordenou a seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, que não seguissem viagem ao Paquistão para dar continuidade às conversas com autoridades iranianas.

Segundo o presidente, a decisão foi tomada pouco antes da partida da equipe.

"Eu disse à minha equipe, há pouco, porque eles estavam se preparando para partir, e eu disse: 'Não, vocês não farão um voo de 18 horas para ir até lá. Nós temos todas as cartas na mão. Eles podem nos ligar a qualquer momento que quiserem, mas vocês não farão mais voos de 18 horas para ficar sentados conversando sobre nada'", afirmou.

Trump acrescentou que a decisão também foi influenciada pela avaliação negativa da proposta apresentada pelo Irã nas negociações. Segundo ele, após o cancelamento da viagem, uma nova versão do documento foi enviada em poucos minutos e considerada mais favorável.

Chanceler iraniano deixou o Paquistão

A guerra teve início em 28 de fevereiro, após um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Desde então, o conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de provocar impactos na economia global, especialmente no mercado de energia.

O Paquistão atua como mediador entre as partes e vinha tentando retomar o diálogo iniciado há duas semanas.

Neste sábado, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, concluiu sua visita a Islamabad após reuniões com o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, e com o primeiro-ministro, Shehbaz Sharif.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Irã, Araghchi apresentou "as posições de princípio do seu país sobre os últimos desenvolvimentos relacionados ao cessar-fogo e ao fim completo da guerra imposta ao Irã".

Ele deixou o país horas depois, rumo a Omã e Rússia, segundo a agência estatal Irna.

Apesar das movimentações diplomáticas, não há reuniões previstas entre Irã e Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, que afirmou que Teerã transmitirá sua posição por meio de mediadores paquistaneses.

Bloqueio no Estreito de Ormuz

O Ministério da Defesa do Irã afirmou que os Estados Unidos buscam "salvar a própria pele" diante do conflito.

"Nosso poderio militar é hoje uma força dominante, e o inimigo busca uma maneira de salvar a própria pele para se desvencilhar do atoleiro bélico no qual ficou preso", disse um porta-voz, segundo a agência Isna.

Já o comando central militar iraniano, Khatam al-Anbiya, advertiu que responderá caso os EUA mantenham o bloqueio aos portos do país, classificado como "banditismo" e "pirataria".

O tráfego marítimo segue interrompido no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo antes da guerra. Autoridades iranianas indicaram que não há intenção de suspender o bloqueio, considerado estratégico para pressionar os Estados Unidos e seus aliados.

Escalada no Líbano

No sábado, 25, novos bombardeios israelenses atingiram localidades no sul do Líbano, ampliando a escalada do conflito na região. Ataques anteriores já haviam deixado mortos, segundo autoridades locais.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou a intensificação das ações contra o Hezbollah, que, segundo o governo israelense, tem violado acordos de cessar-fogo.

A sequência de confrontos amplia a instabilidade regional e pressiona os esforços diplomáticos em curso.

*Com informações da AFP

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