Presidente Lula durante coletiva pós encontro com o republicano Donald Trump. (AFP)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 7 de maio de 2026 às 17h40.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira, 7, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não pretende invadir Cuba. A declaração foi feita em coletiva de imprensa após reunião entre os dois líderes.
“O que eu ouvi, e não sei se a tradução foi correta, é que ele disse que não pensa em invadir Cuba. Isso foi dito pelo intérprete, e acho que isso é um grande sinal. Porque Cuba quer dialogar”, afirmou Lula.
Segundo o presidente brasileiro, o país está disposto a dialogar sobre Cuba, Venezuela ou qualquer outro tema de interesse dos Estados Unidos, reforçando a postura de priorizar a negociação e o entendimento diplomático em vez de conflitos.
A declaração ocorre após Trump afirmar, em diferentes ocasiões, que tinha a intenção de assumir o controle de Cuba.
Em março, o presidente dos EUA disse que Cuba é “uma nação falida”, que “não tem dinheiro, não tem petróleo, não tem nada”, e que “seria uma honra tomar Cuba. Seria ótimo”.
Em uma reunião na Flórida, no fim de abril, Trump afirmou que iria “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã.
Questionado sobre a Venezuela, o presidente brasileiro disse que Trump acredita que por lá a situação já esteja resolvida. No início do ano, os Estados Unidos fizeram uma operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Delcy Rodriguez comanda o país sul-americano.
"Ele acha que na Venezuela está tudo resolvido. Eu espero que esteja. Espero que a Venezuela resolva seus problemas, porque o povo venezuelano precisa ter uma chance na vida de viver bem", afirmou Lula.
No ano passado, Brasil e Estados Unidos viveram seu pior momento na relação diplomática na história. Em julho, o governo Trump anunciou uma tarifa de importação de 50% a produtos brasileiros, além de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
As medidas tinham como objetivo pressionar o Brasil a cancelar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O impasse foi desfeito a partir de setembro. Após uma série de conversas de bastidores, envolvendo tanto autoridades quanto empresários e entidades setoriais, o presidente Trump se reuniu com o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU. Após a conversa, os dois disseram que houve uma "química" entre eles.
Depois disso, vieram outras conversas entre os dois presidentes e uma série de alívios ao tarifaço, como a retirada de mais produtos da lista e uma sinalização de normalização das relações. Os dois presidentes tiveram uma reunião presencial em outubro, na Malásia, que transcorreu bem. Na época, o governo americano recuou de mais medidas contra o Brasil.