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Trump assina acordo com o Irã para encerrar guerra e viabilizar reabertura de Ormuz

Formalização ocorreu nesta quarta-feira, durante encontro entre Trump e Emmanuel Macron no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris

Donald Trump: presidente doa EUA assinou acordo provisório sobre guerra com o Irã nesta quinta-feira (Mandel NGAN/AFP)

Donald Trump: presidente doa EUA assinou acordo provisório sobre guerra com o Irã nesta quinta-feira (Mandel NGAN/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 17 de junho de 2026 às 20h01.

Última atualização em 18 de junho de 2026 às 15h03.

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O presidente Donald Trump formalizou um acordo provisório nesta quarta-feira, 17, com o objetivo de encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã e viabilizar a reabertura do Estreito de Ormuz. A medida antecipou o cronograma inicialmente previsto para a entrada em vigor do entendimento, apesar da oposição de parlamentares republicanos, que classificaram o pacto como uma concessão favorável a Teerã.

Representantes dos governos americano e iraniano concluíram a assinatura eletrônica do acordo de paz na noite de quarta-feira, segundo uma autoridade dos EUA e informações divulgadas pela imprensa estatal iraniana.

EUA apresentam texto completo do acordo de paz com o Irã; veja os 14 pontos previstos

De acordo com uma autoridade americana, o memorando de entendimento já passou a valer. Até o momento, porém, não havia confirmação sobre a retomada efetiva da navegação no Estreito de Ormuz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe uma visita guiada ao Palácio de Versalhes do presidente francês, Emmanuel Macron, antes de um jantar em 17 de junho de 2026 em Versalhes, França.

A assinatura do documento ocorreu no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris. Segundo autoridades dos Estados Unidos e da França, Trump estava no local para um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron.

Reabertura de Ormuz e outras exigências

Uma versão preliminar do acordo apresentada a jornalistas por uma alta autoridade americana indicam que a reabertura do estreito deve ocorrer em curto prazo. A via marítima permaneceu fechada por meses, cenário que impulsionou os preços globais da energia. O texto também determina a suspensão imediata das sanções relacionadas ao petróleo iraniano. As discussões sobre o programa nuclear do país e eventuais benefícios financeiros adicionais devem ocorrer em uma etapa posterior.

Com a implementação do acordo, o foco passa a recair sobre as empresas de navegação, que reduziram drasticamente o tráfego de embarcações na região devido às restrições impostas por Washington e Teerã. Anteriormente, Trump havia informado que a assinatura ocorreria em 19 de junho, prazo considerado necessário para a retirada de minas instaladas na área do estreito.

Nesta quarta-feira, o presidente disse que os mísseis seriam discutidos juntamente com o programa nuclear iraniano em negociações subsequentes, embora o Irã "precise ter alguns, porque outros países também têm". O secretário de Estado Marco Rubio já havia argumentado que os mísseis e drones iranianos poderiam criar um escudo para o país desenvolver armas nucleares.

Vista de satélite do Estreito de Ormuz com linhas gráficas brancas representando rotas marítimas globais e tráfego marítimo entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Conceito estratégico de transporte de petróleo

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

Trump também defendeu o programa de desenvolvimento de US$ 300 bilhões para o Irã, previsto no memorando de entendimento, reiterando que não haveria investimento financeiro do governo americano e que o Irã só se beneficiaria se "se comportasse". Ele acrescentou que as forças americanas atacariam o Irã novamente se seus líderes não cumprissem o acordo.

Mas Trump indicou que está pronto para liberar os bilhões em ativos iranianos congelados pelos EUA ao longo dos anos, algo que ele havia descartado no passado — argumentando agora que isso seria ruim para o dólar. "Em algum momento, acho que teremos que devolvê-los", disse ele. "Se não os devolvêssemos, ninguém jamais voltaria a investir em dólar."

Os principais pontos do acordo de paz

Pelos termos estabelecidos, Estados Unidos e Irã concordam em interromper as hostilidades, reabrir o estreito de Ormuz e iniciar um período de negociações de dois meses para alcançar um entendimento definitivo sobre o programa nuclear iraniano e a retirada das sanções impostas ao país.

O memorando determina “o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”, abrangendo também a ofensiva israelense em território libanês.

Veja a seguir os 14 pontos previstos no entendimento entre os dois países:

  1. Encerramento das hostilidades: Estados Unidos e Irã declaram o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo operações no Líbano. As partes também assumem o compromisso de não iniciar novos confrontos e de respeitar a soberania e a integridade territorial libanesas.
  2. Respeito à soberania: Os dois países concordam em não interferir nos assuntos internos um do outro e em preservar suas respectivas integridades territoriais.
  3. Negociação de acordo definitivo: Washington e Teerã terão até 60 dias para negociar um acordo final, prazo que poderá ser estendido caso haja concordância entre as partes.
  4. Retirada militar e fim do bloqueio naval: Os Estados Unidos se comprometem a suspender o bloqueio marítimo contra o Irã e retirar suas forças da região próxima ao país em até 30 dias após a assinatura do memorando.
  5. Reabertura do Estreito de Ormuz: O Irã deverá restabelecer a navegação no estreito em até 30 dias, garantindo a passagem segura e gratuita de embarcações comerciais durante 60 dias. O governo iraniano também discutirá com Omã e outros países do Golfo Pérsico a futura gestão da rota marítima.
  6. Plano de reconstrução econômica: Os Estados Unidos e seus parceiros regionais desenvolverão um programa de reconstrução e desenvolvimento para o Irã, com recursos mínimos previstos de US$ 300 bilhões.
  7. Suspensão das sanções: Washington promete encerrar todas as sanções contra o Irã, incluindo medidas aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, pelo Conselho de Governadores da AIEA e restrições unilaterais impostas pelos Estados Unidos.
  8. Compromissos nucleares: O Irã reafirma que não produzirá nem obterá armas nucleares. Os dois governos também negociarão um mecanismo para tratar do urânio enriquecido sob supervisão da AIEA e manterão discussões futuras sobre enriquecimento e outros temas nucleares.
  9. Manutenção do cenário atual: Até a conclusão do acordo definitivo, o Irã continuará com sua política nuclear atual, enquanto os Estados Unidos não adotarão novas sanções nem ampliarão sua presença militar no Oriente Médio.
  10. Comércio de petróleo: Os Estados Unidos permitirão que o Irã volte a comercializar petróleo e produtos petroquímicos nos mercados internacionais.
  11. Liberação de ativos iranianos: Washington se compromete a desbloquear integralmente recursos financeiros e ativos iranianos que estavam congelados ou sujeitos a restrições.
  12. Mecanismo de supervisão: As partes criarão uma estrutura de monitoramento para acompanhar o cumprimento do memorando e a implementação do futuro acordo definitivo.
  13. Foco das negociações futuras: Após a entrada em vigor das cláusulas 1, 4, 5, 10 e 11, as discussões passarão a tratar exclusivamente dos demais pontos pendentes do acordo.
  14. Ratificação internacional: O acordo final deverá ser formalizado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU no prazo de até 60 dias.

Por outro lado, o texto do memorando não estabelece qual será o nível máximo de enriquecimento de urânio permitido ao Irã. De acordo com a emissora norte-americana CNN, a definição sobre o destino do material nuclear iraniano e dos estoques de urânio enriquecido foi deixada para a etapa final das negociações, que deverá ser concluída em até 60 dias.

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