Donald Trump: presidente dos Estados Unidos fez novas ameaças à China e ao Irã (Kent Nishimura/AFP)
Redação Exame
Publicado em 12 de abril de 2026 às 13h31.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou neste domingo, 12, impor tarifas de 50% sobre as importações chinesas caso Pequim forneça armas ao Irã.
O presidente fez o alerta durante uma entrevista à Fox News, após a CNN revelar que a inteligência americana acredita que o governo chinês está se preparando para entregar sistemas de mísseis antiaéreos a Teerã.
"Duvido que eles façam isso, porque tenho um bom relacionamento e acho que não fariam", disse Trump, acrescentando: "Mas se os pegarmos fazendo isso, imporemos uma tarifa de 50%, o que é um valor exorbitante".
No sábado, falando a repórteres na Casa Branca, ele já havia alertado que "se a China fizer isso, a China terá grandes problemas".
Trump tem viagem marcada para Pequim em maio para se encontrar com seu homólogo chinês, Xi Jinping.
As delegações americana e iraniana deixaram Islamabad neste domingo sem um acordo para encerrar o conflito, após mais de 20 horas de reuniões, o encontro presencial de mais alto nível entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.
Também neste domingo, Trump disse que o país iniciará o bloqueio e a tomada de controle do Estreito de Ormuz após o fracasso das negociações com o Irã.
“Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de bloqueio de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, disse Trump em publicação na Truth Social, rede social do próprio presidente. Segundo ele, a operação contará com a participação de outros países.
O anúncio pode reduzir as chances de um acordo de curto prazo e amplia o risco de impacto nas economias globais, já pressionadas desde o início do conflito. A reunião realizada entre os países no Paquistão terminou sem acordo e previsão de novo encontro.
O estreito, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, concentra cerca de um quinto do fluxo global de petróleo, o que o torna estratégico para o comércio internacional de energia.
Trump diz que começou a 'limpar' minas no estreito de OrmuzTrump afirmou que a decisão busca impedir que o Irã controle a passagem e obtenha ganhos econômicos em meio à crise.
Segundo o presidente, o bloqueio é uma resposta ao que classificou como “extorsão” por parte de Teerã, em referência às ameaças de restrição ao tráfego na região.
O presidente também afirmou que o objetivo final é restabelecer a circulação plena de embarcações, mas sem a interferência iraniana.
“Em algum momento, chegaremos a um ponto em que todos podem entrar e todos podem sair”, disse.
Ele acusou o Irã de criar incertezas deliberadas, ao sugerir a presença de minas no estreito.

O fim das negociações entre Estados Unidos e Irã foi marcado menos pelo resultado e mais pelo tom das declarações após o encontro. Os americanos falaram em falta de compromisso sobre armas nucleares, enquanto os iranianos reclamaram de “demandas excessivas” que impediram um acordo após 21 horas de conversas.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, afirmou que a delegação americana deixou a capital paquistanesa com uma “última oferta”, descrita como um “acordo de entendimento”. Segundo ele, os termos foram apresentados de forma clara, mas não houve aceitação por parte do Irã.
“Fomos o mais claros possível sobre em quais pontos poderíamos ceder e em quais não”, disse Vance, ao reforçar que Washington mantém suas linhas vermelhas.
O principal impasse, segundo o vice-presidente, foi a ausência de um compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares no longo prazo. Embora não tenha detalhado as negociações, ele reforçou a cobrança ao afirmar que “precisamos ver um compromisso firme de que não buscarão uma arma nuclear”.
Putin se oferece para mediar acordo entre Irã e EUA após impassesDo lado iraniano, autoridades também confirmaram que não houve acordo, apesar de avanços em alguns temas. O governo classificou parte das exigências americanas como demandas excessivas e pedidos ilegais.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Ismail Baghaei, afirmou que o avanço das negociações depende da “boa-fé” dos americanos e do reconhecimento dos interesses do país.
Segundo ele, houve entendimento em “vários temas”, mas divergências em “duas ou três questões importantes” impediram o acordo.
Com EFE.