Total de reclamações por falta de luz cresce 43% em SP

Crises energéticas afetam áreas de elite, como o bairro do Jardins, e a periferia de São Paulo

São Paulo - As constantes interrupções de energia em São Paulo fizeram explodir o número de queixas de consumidores à agência que regula o serviço no Estado, a Arsesp. Entre janeiro e março, houve 3.909 reclamações contra a concessionária AES Eletropaulo, 43% a mais do que no mesmo período de 2010, quando foram 2.730.

A evolução é reflexo dos miniapagões que têm ocorrido tanto em regiões nobres, como os Jardins, quanto na periferia. Ontem, por exemplo, interrupção de mais de três horas no fornecimento de energia deixou 200 mil moradores também sem água em bairros da zona leste - blecautes interrompem o bombeamento. Em 8 de fevereiro, o problema foi mais grave - 2,5 milhões de pessoas na capital ficaram às escuras.

A revolta dos consumidores em 2011 já faz as queixas representarem 70% do verificado em todo o ano de 2010, quando houve 5.540. As queixas à Arsesp são de segunda instância - o consumidor já reclamou à AES Eletropaulo e, mesmo assim, continuou insatisfeito.

Entre as regiões que superaram os limites de falta de luz determinados pela Aneel estão o bairro do Sumaré, que ficou 2,23 horas sem energia, quase o dobro do máximo esperado para a região, além da Granja Julieta, na zona sul, e Diadema e Ribeirão Pires, na Grande São Paulo.

Defesa

A Arsesp acompanha a qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias, mas não quis comentar o caso específico da AES Eletropaulo. Segundo a agência, desde 1999, quando o contrato de concessão foi firmado, foram emitidos 110 autos de infração contra a AES Eletropaulo, por diferentes problemas. Isso equivale a mais de R$ 23 milhões, dos quais apenas R$ 7,8 milhões foram pagos - o restante ainda está em fase de recurso. Neste ano, apesar do aumento expressivo de queixas, ainda não foi lavrada nenhuma multa contra a empresa.

A AES Eletropaulo, por sua vez, alega que seu desempenho melhorou neste ano. E cita parâmetros da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para justificar a afirmação. Nos três primeiros meses do ano, a região atendida pela empresa ficou 9,9 horas sem luz, menos do que em 2010, quando foram 12,7 horas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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