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Suíça bloqueia ativos do entorno de Nicolás Maduro avaliados em US$ 887 milhões

Dois terços da quantia já estavam retidos anteriormente no âmbito de processos penais conduzidos no país

Prisão de Maduro: Nicolás Maduro é visto algemado após pousar em um heliporto em Manhattan, escoltado por agentes federais fortemente armados enquanto se dirige a um carro blindado rumo a um tribunal federal em Manhattan, em 5 de janeiro de 2026, na cidade de Nova York (XNY/Star Max/GC Images/Getty Images)

Prisão de Maduro: Nicolás Maduro é visto algemado após pousar em um heliporto em Manhattan, escoltado por agentes federais fortemente armados enquanto se dirige a um carro blindado rumo a um tribunal federal em Manhattan, em 5 de janeiro de 2026, na cidade de Nova York (XNY/Star Max/GC Images/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 17h34.

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A Suíça bloqueou ativos venezuelanos avaliados em 687 milhões de francos suíços (equivalente a cerca de US$ 887 milhões), informou a agência nacional ATS com base em dados do Ministério das Relações Exteriores do país. Parte dos valores, cerca de um terço do total, foi congelada após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

De acordo com as informações divulgadas, dois terços da quantia já estavam retidos anteriormente no âmbito de processos penais conduzidos na Suíça. Após a detenção de Maduro, foram acrescentados 239 milhões de francos suíços ao montante bloqueado.

Em 5 de janeiro, as autoridades suíças determinaram o congelamento dos ativos de Nicolás Maduro e de pessoas ligadas a ele no país. A ATS informou que os recursos bloqueados antes dessa decisão também estavam vinculados ao círculo do líder chavista.

O bloqueio determinado no início do ano foi classificado como “medida de precaução” diante da “situação volátil” gerada após a prisão do venezuelano, ocorrida no dia 3.

Segundo o governo suíço, nenhum integrante do atual governo da Venezuela está incluído entre os afetados pelo congelamento.

As autoridades afirmaram ainda que, caso seja comprovado que os ativos foram obtidos de maneira ilícita, a intenção é destiná-los em benefício da população venezuelana, segundo declaração feita pelo Ministério das Relações Exteriores em janeiro.

A legislação federal suíça autoriza o bloqueio de bens pertencentes a estrangeiros considerados “politicamente expostos” quando há indícios de que os recursos tenham origem em corrupção, administração criminosa ou outros crimes graves.

Como foi a prisão de Maduro pelos EUA?

O líder venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Ciria Flores foram presos durante uma operação das Forças Armadas dos EUA em Caracas, em 3 de janeiro, após determinação do presidente americano Donald Trump.

Após a captura, o casal foi levado sob custódia a um centro de detenção no Brooklyn, em Nova York. Dias depois, Maduro foi encaminhado a um tribunal em Manhattan escoltados por agentes armados. No tribunal, o chavista se declarou inocente das acusações de envolvimento com o narcoterrorismo.

Em seguida, o juiz ordenou que Nicolás Maduro compareça ao tribunal para uma nova audiência no dia 26 de março.

Atualmente, a Venezuela é governada por Delcy Rodrigues, que assumiu o cargo de presidente interina do país e mantém comunicação constante com a Casa Branca sobre os passos do governo de Caracas.

Quais são as acusações contra Maduro?

Segundo o Departamento de Justiça, Nicolás Maduro, de 63 anos, responde por quatro acusações criminais em um tribunal federal de Nova York, entre elas, narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse de armamentos de uso restrito. Durante a audiência, ele reafirmou inocência.

O ex-presidente venezuelano é acusado de liderar uma rede transnacional de tráfico de drogas com conexões com cartéis mexicanos como Sinaloa e Los Zetas, além das guerrilhas colombianas das FARC e o grupo venezuelano Tren de Aragua. Maduro nega envolvimento e classifica as acusações como manobra imperialista, alegando interesses nos recursos petrolíferos da Venezuela.

A operação militar dos EUA em Caracas, considerada a mais contundente na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989, foi debatida no Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira. A Rússia, a China e países aliados ao governo venezuelano condenaram a ação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação com a legalidade do ataque e seus impactos sobre a estabilidade da região.

(Com informações da agência EFE)

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