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Sob críticas da Otan, Putin desembarca na Coreia do Norte para estreitar parceria 'estratégica'

Presidente russo volta a Pyongyang 24 anos depois, e deve assinar um acordo de cooperação que incluirá questões de segurança e cooperação aeroespacial

Vladimir Putin, presidente da Rússia (SERGEI KARPUKHIN/POOL/AFP/Getty Images)

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Agência o Globo
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Publicado em 18 de junho de 2024 às 15h30.

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou na tarde desta terça-feira (madrugada de quarta-feira pelo horário local) a Pyongyang, em uma viagem ventilada desde antes da reeleição do líder russo, em março, mas confirmada apenas um dia antes do embarque. A visita sela uma aliança que se intensificou com o início da guerra na Ucrânia, e que pode ser ampliada através da assinatura de um acordo de cooperação bilateral, e que é alvo de críticas ocidentais.

Dentro da extensa agenda do presidente russo na cidade, estão previstas homenagens, uma recepção de Estado e um recital de música clássica — contudo, o foco estará no acordo cujos termos ainda não estão claros, mas que, segundo analistas, deve trazer menções à cooperação no setor aeroespacial, armamentista, de saúde e tecnologia. Na véspera da chegada, Putin assinou um decreto dando plenos poderes a seu Gabinete ministerial para terminar de negociar os termos do texto.

Na véspera, o assessor da Presidência russa, Yuri Ushakov, disse que o acordo será "determinado pela profunda evolução da situação geopolítica no mundo e na região, bem como pelas mudanças qualitativas que ocorreram recentemente nas relações bilaterais”, incluindo na diplomacia, economia e nas questões de segurança.

— Ele cumprirá naturalmente todos os princípios fundamentais do direito internacional, não terá qualquer natureza de confronto, não será dirigido contra nenhum país, mas terá como objectivo garantir uma maior estabilidade na região do Nordeste Asiático — disse Ushakov, em entrevista coletiva na véspéra do embarque, citado pela agência Interfax. Apesar do tema não ter sido levantado por Ushakov, o texto, que será discutido entre Putin e o líder norte-coreano nas próximas horas, pode incluir uma cooperação mais ampla no setor aeroespacial, onde há indícios de ações conjuntas em campos como o desenvolvimento de foguetes de transportes de satélites.

Sob pesadas sanções, e de posse de arsenais nucleares (e dos meios para usá-los), Rússia e Coreia do Norte mantiveram relações mornas desde a última visita de Putin ao país, em 2000, e das visitas dos líderes norte-coreanos Kim Jong-il e Kim Jong-un à Rússia. Mas a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, marcada pelo intenso uso de armamento de combate direto, como munições de artilharia e foguetes de curto alcance, fez com que o Kremlin olhasse com mais atenção para o antigo aliado e para os arsenais armazenados ao longo de décadas de animosidade com o Sul.

Para o Ocidente, em especial a Otan, a aliança militar liderada pelos EUA e que serve de principal linha de apoio a Kiev, essa parceria desperta muitas preocupações. A começar pelo fornecimento de armas norte-coreanas a Moscou, que violaria as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, além de medidas unilaterais de Washington e aliados — segundo informações de inteligência, as armas são transportadas através da remota fronteira russo-norte-coreana, e seguem para o front de trem, em um caminho de mais de 10 mil km.

— A visita do presidente russo, Vladimir Putin, à Coreia do Norte confirma os laços estreitos entre estes países, bem como [os seus laços] com a China e o Irã. Também demonstra que a segurança da Otan não é regional, é global — disse o secretário-geral da aliança, Jens Stoltenberg, durante conversa com jornalistas em Washington. — O que acontece na Europa é importante para a Ásia, e o que acontece na Ásia é importante para a Europa. Não podemos mais dividir a segurança em teatros regionais, tudo está interligado.

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