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Sem Big Mac? Aumenta a pressão contra empresas que permanecem na Rússia

Uma equipe da Universidade de Yale, que mantém uma lista de empresas com presença significativa na Rússia, afirma que cerca de 230 anunciaram sua retirada do país desde a invasão da Ucrânia

Empresas americanas na Rússia permanecem em silêncio sobre a invasão da Ucrânia (Mike Blake/Reuters)

Empresas americanas na Rússia permanecem em silêncio sobre a invasão da Ucrânia (Mike Blake/Reuters)

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AFP

Publicado em 8 de março de 2022 às 14h18.

Última atualização em 8 de março de 2022 às 15h41.

Enquanto muitas multinacionais americanas — da Apple à Levi's — decidiram suspender seus serviços na Rússia, algumas empresas permanecem no país apesar dos riscos para suas reputações.

Hashtags como #BoycottMcDonalds e #BoycottPepsi circulam nas mídias sociais, duas empresas que também receberam cartas do presidente da Controladoria do estado de Nova York, o principal órgão de auditoria e fiscalização.

Essas empresas "precisam questionar se vale a pena fazer negócios na Rússia neste período extraordinariamente volátil", disse Thomas DiNapoli, que também notificou a corretora Bunge, a fabricante de biscoitos Mondeléz e os grupos de cosméticos e produtos de higiene Estée Lauder, Coty e Kimberly-Clark.

Uma equipe da Universidade de Yale, que mantém uma lista de empresas com presença significativa na Rússia, afirma que cerca de 230 anunciaram sua retirada do país desde a invasão da Ucrânia.

Muitas empresas americanas estão em silêncio. As marcas mencionadas não responderam aos pedidos de resposta da AFP.

"Efeito cumulativo"

A Yum! Brands alega que seus mais de mil restaurantes KFC e 50 lojas Pizza Hut são quase todos de propriedade independente e operados sob licença ou franquia.

A Starbucks argumenta que seus quase 130 cafés na Rússia pertencem a um conglomerado do Kuwait e se comprometeu a devolver qualquer contribuição de sua atividade no país aos esforços humanitários na Ucrânia.

"Existem sérios riscos para os ocidentais atualmente na Rússia, e essas empresas devem fazer todo o possível para repatriar seu pessoal", diz Richard Painter, professor na Universidade de Minnesota.

Algumas empresas podem hesitar porque acham que podem desempenhar um papel intermediário entre as partes ou porque produzem bens essenciais, disse Tim Fort, professor de ética empresarial da Universidade de Indiana.

A decisão de uma única empresa "não vai fazer pender a balança, mas há um efeito cumulativo", disse Fort. E uma marca tão conhecida como o McDonald's pode ter real influência na Rússia em um momento em que o discurso oficial minimiza a magnitude do conflito e a população tem pouco acesso a informações além das oficiais.

"Os russos vão conseguir sobreviver sem o Big Mac, mas vão se perguntar por que o McDonald's fechou", ponderou. Para Mark Hass, especialista em comunicação da Arizona State University, os interesses econômicos das empresas que até agora optaram por não deixar a Rússia "provavelmente continuarão a superar os riscos sobre sua reputação".

Mas "se as redes sociais começarem a identificá-las como empresas dispostas a fazer negócios com um agressor autocrático que está matando milhares de pessoas na Ucrânia, o problema tomará outro rumo e pode afetar seus negócios muito além da Rússia", disse Hass.

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