Criticado por ausência alemã na Ucrânia, Scholz faz 1ª viagem aos EUA

O chanceler alemão, que assumiu a apenas dois meses substituindo Angela Merkel, vem sendo criticado no exterior e em casa por atuação na crise ucraniana
Biden, Merkel e Scholz na reunião do G20 (foto de arquivo): novo chanceler alemão viaja à Casa Branca com a missão de por panos quentes nas desavenças com os EUA (Getty Images/Oliver Weiken/picture alliance)
Biden, Merkel e Scholz na reunião do G20 (foto de arquivo): novo chanceler alemão viaja à Casa Branca com a missão de por panos quentes nas desavenças com os EUA (Getty Images/Oliver Weiken/picture alliance)
Por Da RedaçãoPublicado em 07/02/2022 06:00 | Última atualização em 06/02/2022 22:27Tempo de Leitura: 4 min de leitura

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Em meio a desavenças cada vez mais visíveis sobre a crise na Ucrânia, o novo chanceler alemão, Olaf Scholz, se encontra presencialmente nesta segunda-feira, 7, com o presidente americano, Joe Biden. Scholz viajou para Washington D.C. e se reunirá com Biden na Casa Branca, no que marca a primeira reunião presencial entre os dois mandatários desde que o chanceler alemão assumiu o cargo em dezembro.

A viagem tenta colocar panos quentes nos embates de bastidores entre as posições de Alemanha e Estados Unidos sobre como responder à Rússia. O Ocidente estima que mais de 100.000 soldados de tropas russas estejam posicionadas na fronteira com a Ucrânia, levando ao risco de uma invasão. O presidente russo, Vladimir Putin, defende que, para recuar, as potências ocidentais devem garantir que a Ucrânia não fará parte da Otan, aliança militar ocidental.

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A Alemanha, que depende do fornecimento de gás natural russo, tem buscado não cortar totalmente laços com Putin, enquanto os EUA defendem uma retórica mais agressiva, incluindo com o envio de 3.000 soldados para o leste europeu.

Os EUA tentam passar a mensagem de que a Otan está unida na resposta a Putin - Scholz e Biden já se reuniram por videoconferência sobre este tema no mês passado. Mas tem sido difícil esconder que há divergências, sobretudo depois que um memorando vazado da diplomacia americana em Berlim descreveu a Alemanha como não sendo uma aliada confiável na crise.

A Ucrânia também pressiona por uma posição mais abrangente dos alemães. O ápice das críticas veio após o governo alemão oferecer à Ucrânia 5.000 capacetes, enquanto trava o envio de armas. "Que outro apoio vão dar na próxima? Travesseiros?", disse o prefeito de Kiev, capital ucraniana, Vitali Klitschko, que chamou a posição alemã de "uma completa piada".

Tropas ucranianas durante exercício de tiro em Lviv, em 28 de janeiro de 2022

Tropas ucranianas durante exercício de tiro em Lviv, em 28 de janeiro de 2022 (AFP/AFP)

Além da crítica vinda de Washington, Scholz também tem sido criticado em casa, e chegou a ser chamado de "invisível" pela popular revista Der Spiegel. Pesquisas recentes mostram a popularidade de seu Partido Social Democrata atrás do CDU (partido conservador cristão da ex-chanceler Angela Merkel e agora principal bancada na oposição). A hashtag em alemão "Onde está Scholz" também ficou entre as mais comentadas nas redes sociais na semana passada.

Scholz, que assumiu o cargo de chanceler após 16 anos de governo Merkel, já era conhecido por um estilo discreto. Mas seu governo começa com muito mais problemas do que o previsto. Uma crise de Defesa no quintal alemão não estava, nem de longe, entre seus principais planos - o novo governo de centro-esquerda centrava suas promessas sobretudo em questões domésticas, como a pandemia da covid-19 e a economia. Agora, a Ucrânia tende a terminar nublando os demais temas pelos próximos meses.

Macron e Schol em 25 de janeiro: discussão sobre o papel da União Europeia na crise ucraniana (Kay Nietfeld - Pool/Getty Images)

Também nesta segunda-feira, do outro lado do Atlântico, o presidente francês Emmanuel Macron se encontra diretamente com Putin. A França têm defendido que a Europa tenha uma posição autônoma frente à americana e que tente resolver a crise diplomaticamente, abrindo diálogo com os russos. (Críticos de Scholz, inclusive, afirmam que Macron e até mesmo o premiê da Itália, Mario Draghi, estão atuando mais na crise do que o chanceler alemão.)

Após a visita a Biden, Scholz também deve viajar tanto a Moscou quanto à Ucrânia nos próximos dias. Trajeto parecido fará Macron, que segue da conversa com Putin direto para Kiev, onde se encontra com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy. As potências europeias tentam seguir com um pé em cada canoa - sem fechar todas as portas nem com russos, nem com americanos.

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