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Rússia espera encontrar novos compradores para seu petróleo, apesar do teto ao seu preço

A União Europeia, os países do G7 e a Austrália anunciaram a imposição, desde segunda-feira, de um teto ao preço do petróleo russo para exportação, de 60 dólares

 (AFP/AFP)

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AFP

6 de dezembro de 2022, 09h09

A Rússia declarou nesta terça-feira, 6, que "não tem dúvidas" de que encontrará novos compradores para seu petróleo nos próximos meses, apesar do fato de os países ocidentais terem implementado um mecanismo para estabelecer um teto ao preço do petróleo russo.

"Não tenho dúvidas de que haverá compradores para os nossos produtos" de petróleo, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Riabkov, citado pelas agências de notícias russas.

Na sexta-feira, a União Europeia (UE), os países do G7 e a Austrália anunciaram a imposição, desde segunda-feira, de um teto ao preço do petróleo russo para exportação, de 60 dólares. Uma medida que, segundo Riabkov, "vai fragmentar" a economia mundial "em muitas áreas".

Segundo os ocidentais, o objetivo da iniciativa é limitar os lucros da Rússia para reduzir suas capacidades financeiras na intervenção militar na Ucrânia.

O mecanismo prevê que apenas o petróleo russo vendido a US$ 60 o barril ou menos pode ser fornecido. Se o preço for maior, as empresas com sede em países da UE, G7 ou Austrália serão proibidas de oferecer seus serviços de transporte marítimo, que incluem comércio, frete, seguros, armadores etc.

Os países do G7 fornecem serviços de seguro para 90% da carga mundial, e a UE é um importante ator no frete marítimo.

O vice-primeiro-ministro da Rússia para a Energia, Alexander Novak, que já tinha avisado que a Rússia deixaria de fornecer petróleo aos países que aplicarem a iniciativa ocidental, repetiu nesta terça-feira que isso "levará a um aumento ainda maior dos preços" no mercados mundiais.

Segundo Novak, o teto estabelecido "não é uma tragédia" para a Rússia. "As empresas comerciais encontrarão mecanismos entre si para vender os produtos afetados", disse ele, embora não tenha descartado que a Rússia exporte menos petróleo nos próximos meses por causa das "incertezas" impostas pelo teto do preço.

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