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Rússia alerta que exército ucraniano pode atacar a Crimeia

Nos últimos dias, várias bases militares russas, duas delas localizadas a cerca de 500 quilômetros da Ucrânia (e a mesma distância de Moscou) foram atacadas por drones

E nesta quinta, a frota russa destacada em Sebastopol, na Crimeia, abateu um drone, segundo as autoridades locais (AFP/AFP)

E nesta quinta, a frota russa destacada em Sebastopol, na Crimeia, abateu um drone, segundo as autoridades locais (AFP/AFP)

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Estadão Conteúdo

8 de dezembro de 2022, 10h08

A Rússia declarou nesta quinta-feira (8) que existe um "risco" de Kiev realizar ataques na Crimeia, península anexada por Moscou em 2014, depois de vários atentados contra alvos russos distantes da frente de batalha, que o Kremlin atribuiu aos ucranianos.

Nos últimos dias, várias bases militares russas, duas delas localizadas a cerca de 500 quilômetros da Ucrânia (e a mesma distância de Moscou) foram atacadas por drones.

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E nesta quinta, a frota russa destacada em Sebastopol, na Crimeia, abateu um drone, segundo as autoridades locais.

Os ataques, ao lado de uma série de retiradas do exército russo na Ucrânia, sugerem que, nove meses após o início da invasão, a Rússia tem dificuldades para consolidar suas posições e proteger sua retaguarda longe das linhas de frente.

Na Crimeia, "há um risco, já que o lado ucraniano persiste em sua linha de organizar ataques terroristas", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a repórteres.

Mas o fato de um drone ter sido abatido "indica que as contramedidas indicadas estão sendo tomadas", acrescentou.

A frota russa do Mar Negro, posicionada no porto de Sebastopol, foi afetada no final de outubro pelo que as autoridades descreveram como um ataque "massivo" de drones que danificou pelo menos um navio.

E em outubro, a ponte que liga a península à Rússia foi parcialmente destruída por uma enorme explosão que Moscou atribuiu às forças ucranianas.

Neste contexto, as autoridades instaladas por Moscou na Crimeia anunciaram a construção de fortificações e trincheiras, enquanto as forças ucranianas retomaram em novembro o controle de uma parte da região de Kherson, que faz fronteira com a península.

- Prisões na Crimeia -

Diante da possibilidade de que as linhas de frente não se movam durante o inverno (verão no Brasil), os ucranianos recorrem cada vez mais a drones para bombardear bases russas na retaguarda, enquanto os russos bombardeiam as infraestruturas energéticas ucranianas, deixando os civis sem luz e aquecimento.

O ministro da Defesa ucraniano, Oleksiy Reznikov, informou que seu exército incorporou "sete modelos de drones fabricados na Ucrânia" no mês passado, enquanto antes da ofensiva russa apenas "um ou dois" integravam o arsenal.

Nesta quinta-feira, os serviços de segurança russos (FSB) anunciaram a prisão de dois moradores de Sebastopol suspeitos de terem transmitido informações sobre alvos militares à Ucrânia.

Em comunicado, o FSB explicou que um dos suspeitos foi recrutado por Kiev em 2016 e que, desde o início da campanha militar na Ucrânia, forneceu "informações sobre a localização de instalações do ministério da Defesa da Rússia".

O exército ucraniano se aproximou da Crimeia graças a uma contraofensiva que lhe permitiu recuperar a cidade de Kherson, no sul do país, em meados de novembro.

Na região, onde o rio Dnieper serve de linha divisória, a situação é tensa, com bombardeios russos regulares na cidade de Kherson.

Oleksiy Kovbasiuk, um morador local, continua atravessando o rio, apesar dos riscos, para ajudar os habitantes presos na margem esquerda, ocupada pelos russos, a fugir.

"Meu barco já recebeu dois tiros", contou à AFP.

- "Russofobia" -

Ao mesmo tempo, o Kremlin acusou nesta quinta-feira a revista americana Time de "russofobia", depois que o veículo nomeou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, personalidade do ano de 2022, e prestou homenagem ao "espírito ucraniano".

A Rússia sofreu vários reveses e foi forçada a mobilizar centenas de reservistas. Agora, o presidente Vladimir Putin parece estar preparando a opinião pública para um conflito que deve se arrastar.

A intervenção na Ucrânia é "um longo processo", admitiu na quarta-feira, garantindo que "o surgimento de novos territórios" que Moscou afirma ter anexado representa um "resultado significativo para a Rússia".

O líder também pareceu minimizar o risco de recorrer a uma arma nuclear. "Não enlouquecemos, sabemos o que são as armas nucleares", disse, acrescentando que esse tipo de arma só seria usado em caso de "retaliação".

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, recusou-se a responder diretamente a Putin, mas disse que "qualquer conversa sobre armas nucleares é absolutamente irresponsável".

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