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Rússia acusa Ucrânia de lançar ataques contra maior usina nuclear da Europa

Oficiais russos acusam Ucrânia de usar drones para atacar a usina nuclear de Zaporizhzhia, conquistada pela Rússia no começo da guerra

Complexo nuclear de Zaporizhzhia: maior planta nuclear da Europa, hoje sob controle russo (Wikimedia Commons/Reprodução)

Complexo nuclear de Zaporizhzhia: maior planta nuclear da Europa, hoje sob controle russo (Wikimedia Commons/Reprodução)

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Da Redação

20 de julho de 2022, 18h29

A Rússia acusou a Ucrânia de lançar ataques contra a usina nuclear de Zaporizhzhya, a maior da Europa e que está desde março em território ucraniano ocupado pelas tropas russas.

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A acusação veio do Ministério da Defesa russo, segundo reportou a agência Reuters nesta quarta-feira, 20. A Rússia afirma que dois drones teriam sido usados por forças ucranianas na segunda-feira, 18. Não houve danos à usina.

"Foi apenas por pura sorte que isso não causou danos aos equipamentos da fábrica e um desastre causado pelo homem", disse o Ministério da Defesa russo. Em outra comunicação, um oficial russo no governo de ocupação instalado na região afirmou no Telegram que teriam sido três drones contra a planta.

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Mais cedo nesta semana, a acusação foi o contrário: foram oficiais ucranianos quem acusaram a Rússia de estar deliberadamente colocando a usina em risco, ao alocar lançadores de mísseis perto da planta para atirar contra regiões vizinhas.

"A situação [na planta nuclear] é extremamente tensa, e a tensão aumenta a cada dia. Os ocupantes estão trazendo seu maquinário, incluindo os sistemas de mísseis, com os quais atacaram o outro lado" do rio Dnipro, disse o presidente da estatal de energia ucraniana Energoatom, Petro Kotin, em um canal no Telegram. Ele afirmou que cerca de 500 soldados russos controlam a usina.

A situação das usinas nucleares na Ucrânia é tensa desde o início da guerra, com metade da energia do país vinda de fonte nuclear.

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O caso de Zaporizhzhya é especialmente delicado porque a usina, a maior da Europa, ainda está em funcionamento e fornece energia para milhões de residências na Ucrânia.

É uma situação diferente da planta desativada em Chernobyl, no norte da Ucrânia, em área que chegou a ser controlada pela Rússia mas foi abandonada em março com o recuo das tropas russas no norte. Houve preocupação no início da guerra sobre os reatores em Chernobyl quando a área foi ocupada pela Rússia e funcionários ucranianos da planta ficaram dias seguidos no trabalho sem revezamento. Mas não foram encontrados danos posteriores.

Chernobyl foi palco da pior catástrofe nuclear da história há 36 anos, quando um reator foi danificado.

Ao todo, a Ucrânia possui hoje 15 reatores em quatro usinas nucleares operacionais, além de depósitos de resíduos como o da usina de Chernobyl.

Zaporizhzhya chegou a ter um incêndio registrado em março diante dos embates pelo controle da região, mas não houve danos a reatores. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, disse que, se a usina explodisse, seria "dez vezes maior que Chernobyl". 

Durante o ataque a Zaporizhzhia, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de atacar deliberadamente alvos nucleares. A Rússia nega e afirma que o incêndio, na ocasião, teria sido causado pelos próprios ucranianos.

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