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Relatório sobre interferência russa na eleição de Trump vem à luz

O documento elaborado pelo investigador Robert Mueller também trará detalhes sobre suposta obstrução de justiça cometida pelo presidente

Donald Trump: o presidente vem sendo pressionado por acusações de interferência russa desde 201 (Jim Young/Reuters)

Donald Trump: o presidente vem sendo pressionado por acusações de interferência russa desde 201 (Jim Young/Reuters)

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Redação EXAME

18 de abril de 2019, 06h52

Quatro semanas após a divulgação de uma prévia de quatro páginas do relatório que inocentou o presidente Donald Trump sobre a suposta interferência russa na campanha de 2016 e por supostos atos de obstrução de justiça, nesta quinta-feira (18), o secretário de justiça dos Estados Unidos, William Barr, deve tornar público as mais de 400 páginas do documento idealizado pelo investigador Robert Mueller, que se debruçou sobre o caso por dois anos.

Desde a eleição de 2016, diversas acusações começaram a pipocar contra Donald Trump. Além da oposição democrata ter exigido uma profunda investigação sobre a relação mantida entre a campanha de Trump e os russos, o presidente também foi acusado por tentar obstruir a justiça através da demissão do ex-diretor do FBI, James Comey, na época o responsável pelo caso.

No lugar de Comey, o investigador Robert Mueller assumiu o caso, concluído em definitivo no último dia 22 de março. Na ocasião, o secretário de justiça dos EUA, William Barr, inocentou o presidente de forma nebulosa, declarando que “embora este relatório conclua que o presidente não cometeu um crime, tampouco o exonera”. Barr também chegou a afirmar que “as evidências não são suficientes para estabelecer que o presidente cometeu obstrução da justiça”.

Apenas um resumo geral do arquivo com mais de 400 páginas foi divulgado naquela ocasião. Segundo Jerry Nadler, presidente do Comitê Judiciário da Câmara, “o procurador especial Mueller, de forma clara e explícita, não está inocentando o presidente, e precisamos ouvir de Barr sobre sua tomada de decisão e ver todas as evidências subjacentes para o povo americano saber todos os fatos”.

A partir de então, a expectativa de que Barr divulgasse todo o conteúdo da investigação passou ser exigida pelos democratas, que veem o relatório como um documento de interesse público para os  norte-americanos. O anúncio será feito após uma revisão que retirou testemunhos e pontos confidenciais do documento, o que freava sua publicação.

Embora Trump já tenha usado a prévia do relatório para se declarar inocente e colocar uma pedra sobre a investigação que pesa contra ele, a divulgação completa do relatório de Mueller poderá acender novas polêmicas ou enterrar de vez o caso russo-republicano.