Relação com Venezuela e contrabando: desafios das têxteis colombianas

Setor representa 3% do PIB da Colômbia e gera 130 mil empregos diretos e 750 mil indiretos

Bogotá – A concorrência desleal originada pelo contrabando de tecidos e a normalização das relações comerciais da Colômbia com a Venezuela, país que ainda mantém dívidas com os produtores do país vizinho, são os desafios que o setor têxtil colombiano enfrentará em 2011.

Esses dois desafios são muito importantes para um setor que representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e gera 130 mil postos de trabalho diretos e 750 mil indiretos, segundo dados do Instituto Nacional para a Exportação e a Moda da Colômbia (Inexmoda).

Em entrevista concedida à Agência Efe, o diretor-executivo da Inexmoda, Carlos Eduardo Botero, explicou que 30% do comércio de produtos têxteis e confecção na Colômbia tem origem no contrabando.

“É um flagelo que afeta muitíssimo o emprego e tem um componente de lavagem de dinheiro muito grande, e por isso temos que acabar com esse contrabando que existe no país”, avaliou.

Para erradicar esta praga, Botero defende uma maior colaboração entre a Direção de Impostos e Alfândegas Nacionais da Colômbia (Dian) e os empresários do setor, já que, segundo ele, “há fontes muito claras indicando por onde entra o contrabando, quais portos são utilizados e quais são os países de origem”.

O vice-ministro de desenvolvimento empresarial da Colômbia, Carlos de Hart, assinalou, por sua vez, que o país está avançando em matéria de medidas alfandegárias com a implementação de sistemas não invasivos de inspeção de mercadorias, embora reconheça a necessidade de “fazer ajustes em procedimentos entre a Dian e os ministérios”.

As conturbadas relações entre Colômbia e Venezuela durante o ano passado também atingiram as companhias têxteis, pela decisão do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de não fornecer divisas para o pagamento de dívidas a produtores colombianos.


Apesar de as relações bilaterais entre os dois países já terem sido restabelecidas, o vice-ministro de desenvolvimento empresarial da Colômbia calcula que a Venezuela ainda deve cerca de US$ 80 milhões aos produtores têxteis colombianos.

Esta conjuntura alterou a balança comercial do setor, que, segundo a Inexmoda, antes da crise diplomática destinava 60% de suas exportações à Venezuela, enquanto atualmente a nação vizinha representa apenas 25% de seu mercado internacional.

É por isso que a indústria têxtil colombiana aposta agora em diversificar suas exportações a novos mercados, como México, Equador e Peru.

A própria Colômbia se transformou em um mercado interno importante, já que seus cidadãos gastaram em 2010 mais de US$ 5,3 bilhões em vestuário, 5,4% mais que no ano anterior, segundo a empresa especializada em consumo Raddar.

Com essa estratégia, o diretor-executivo da Inexmoda prevê que o consumo nacional de produtos têxteis aumentão 4% em 2011 e que as exportações terão ganhos entre 20% e 30%.

Por outro lado, a possibilidade de uma guerra de divisas não intimida o setor, que se encontra armado de “qualidade, desenho e moda”, de modo que seus empresários dependem mais do valor agregado que do preço do dólar, afirmou à Efe o vice-presidente de exportações da Proexport, Ricardo Vallejo.

A verdade é que a aposta do setor têxtil em inovação e qualidade começou há anos, quando teve que concorrer com os baixos preços dos produtos asiáticos.

Em um negócio como a moda, porém, onde as coleções e as tendências mudam a cada temporada, a inovação tem que ser constante.

Daí a criação de programas de formação e o lançamento de um Observatório Econômico Nacional para os setores têxtil, confecções e afins, que concentra e analisa informações econômicas para ajudar os empresários a tomarem suas decisões.

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