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Reino Unido: Rishi Sunak adia apresentação de plano econômico decisivo

Novo primeiro-ministro britânico decidiu anunciar para meados de novembro a apresentação do plano orçamentário que deve tranquilizar os mercados

Rishi Sunak: novo primeiro-ministro britânico adia apresentação de plano econômico decisivo (AFP/AFP Photo)

Rishi Sunak: novo primeiro-ministro britânico adia apresentação de plano econômico decisivo (AFP/AFP Photo)

A
AFP

26 de outubro de 2022, 10h16

O novo primeiro-ministro britânico, o conservador Rishi Sunak, decidiu nesta quarta-feira, 26, adiar para meados de novembro a apresentação do plano orçamentário que deve tranquilizar os mercados, após a convulsão causada pelas polêmicas medidas econômicas de sua antecessora.

Sunak, um ex-banqueiro bilionário de 42 anos, neto de imigrantes indianos, foi nomeado chefe de governo do Reino Unido na terça-feira para substituir a conservadora Liz Truss.

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Truss, empossada em 6 de setembro para substituir o polêmico Boris Johnson, foi forçada a renunciar na semana passada, sob pressão dos mercados e de seu próprio partido, devido ao caos financeiro que causou com suas polêmicas políticas de cortes de impostos e ajudas públicas sem financiamento em tempos de inflação muito alta.

Na tentativa de acalmar as preocupações dos mercados, seu ministro das Finanças, o ultraliberal Kwasi Kwarteng, concordou em adiantar para 31 de outubro a apresentação de um plano orçamentário inicialmente previsto para 25 de novembro.

No entanto, Kwarteng acabou sendo demitido e substituído há duas semanas pelo mais moderado Jeremy Hunt.

No primeiro discurso após sua nomeação na terça-feira, Sunak, defensor da ortodoxia orçamentária, prometeu "corrigir os erros" de Truss e devolver "a estabilidade e a confiança econômicas".

Mas, para isso, "decisões difíceis terão que ser tomadas", alertou, levantando temores de políticas drásticas de austeridade, com cortes orçamentários iminentes e aumentos de impostos.

A sua simples nomeação e a de Hunt ajudaram a acalmar a volatilidade nos mercados financeiros, o que levou o novo Executivo a defender, nesta quarta-feira, que já não é tão urgente apresentar o seu orçamento e que prefere dar mais tempo para sua elaboração.

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"Proteger os mais vulneráveis"

O chefe de governo e seu titular das Finanças "definiram a data de 17 de novembro" para apresentar suas medidas econômicas, informou nesta quarta o governo, pouco antes de Sunak comparecer ao Parlamento em sua primeira sessão semanal de perguntas ao primeiro-ministro.

O novo líder conservador experimenta ali seu batismo de fogo diante de uma oposição trabalhista, favorita nas pesquisas, que pede a convocação de eleições legislativas antecipadas após a segunda nomeação em dois meses de um chefe de governo sem eleições.

O Partido Conservador obteve com Boris Johnson uma esmagadora maioria legislativa em 2019, a maior da direita britânica em 40 anos. Mas, desde então, o país mudou seu primeiro-ministro duas vezes.

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A primeira troca com Truss, por meio de uma votação na qual participaram apenas cerca de 170 mil membros do partido. A segunda, com Sunak, graças ao apoio de cerca de 200 dos 357 deputados conservadores.

Neste contexto, 62% dos eleitores britânicos, num país de 67 milhões de habitantes, querem que as eleições legislativas sejam antecipadas antes do final do ano, em vez de esperar pelo início de 2025, segundo uma pesquisa da Ipsos.

O bilionário Sunak "não está do mesmo lado dos trabalhadores", lançou o líder da oposição trabalhista Keir Starmer na Câmara dos Comuns, perguntando ao novo primeiro-ministro "por que você não testa e deixa que os trabalhadores tenham a palavra convocando eleições gerais?"

O líder conservador se esquivou da pergunta, assim como uma sobre os nacionalistas escoceses, sobre se as ajudas sociais aumentarão em seu próximo orçamento no mesmo nível da inflação, que já está acima de 10%.

"Sempre agi de forma a proteger os mais vulneráveis", limitou-se a responder o ex-ministro das Finanças, que distribuiu generosas ajudas durante a pandemia, desencadeando uma dívida pública que agora precisa de ser reembolsada.

Insistiu na necessidade de controlar a inflação, "o inimigo que deixa todo mundo mais pobre", e garantiu que tomará as "necessárias decisões difíceis de forma justa e compassiva".

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