Mundo

Putin manda recado ao Ocidente: 'Não deixem a Ucrânia usar seus mísseis'

Presidente russo afirmou que os membros da OTAN estão ‘brincando com fogo’.

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 29 de maio de 2024 às 07h09.

O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu o Ocidente na terça-feira (28) que os membros da OTAN na Europa estavam brincando com fogo ao propor permitir que a Ucrânia usasse armas ocidentais para atacar profundamente dentro da Rússia, o que ele disse que poderia desencadear um conflito global. As informações são da Reuters.

Mais de dois anos após o início da guerra terrestre mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, Putin tem falado cada vez mais sobre o risco de um conflito global muito mais amplo, enquanto o Ocidente lida com o avanço das tropas russas na Ucrânia.

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, disse à The Economist que os membros da aliança deveriam permitir que a Ucrânia atacasse profundamente dentro da Rússia com armas ocidentais, uma visão apoiada por alguns membros da OTAN, mas não pelos Estados Unidos. "A escalada constante pode levar a consequências graves", disse Putin a repórteres em Tashkent. "Se essas consequências graves ocorrerem na Europa, como os Estados Unidos se comportarão, tendo em mente nossa paridade no campo das armas estratégicas?"

"É difícil dizer - eles querem um conflito global?" Putin disse que ataques ucranianos à Rússia com armas de longo alcance precisariam da ajuda ocidental em termos de satélites, inteligência e ajuda militar - então o Ocidente estaria diretamente envolvido. Ele disse que enviar tropas francesas para a Ucrânia seria um passo em direção a um conflito global. Falando sobre os membros da OTAN na Europa, Putin disse que os pequenos países lá "deveriam estar cientes do que estão brincando", pois tinham pequenas áreas de terra e populações muito densas.

Impacto na guerra Rússia-Ucrânia

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 desencadeou o pior colapso nas relações com o Ocidente em 60 anos, e a crise está escalando para o que diplomatas dizem ser sua fase mais perigosa até agora. A invasão causou a morte de dezenas de milhares de civis ucranianos, forçou milhões a fugir para o exterior e reduziu bairros e cidades inteiras a escombros.

A Rússia, que controla 18% da Ucrânia, está avançando e abriu uma nova frente na região de Kharkiv, desencadeando um debate no Ocidente sobre o que mais pode ser feito após dar a Kiev centenas de bilhões de dólares em ajuda, armas e inteligência. Líderes ocidentais e a Ucrânia minimizaram os avisos da Rússia sobre o risco de uma guerra mais ampla envolvendo os russos, a maior potência nuclear do mundo, e a OTAN, a aliança militar mais poderosa do mundo liderada pelos Estados Unidos.

A Ucrânia diz que deve ser capaz de atacar além das linhas russas, incluindo o território soberano russo, para se defender. Mas os oficiais russos dizem que a paciência de Moscou está se esgotando após repetidos ataques ucranianos a cidades russas, refinarias de petróleo e, nos últimos dias, até mesmo contra elementos de seu sistema de alerta nuclear. Questionado pela televisão estatal russa sobre a legitimidade do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Putin disse que a única autoridade legítima na Ucrânia agora era o parlamento e que seu chefe deveria receber o poder. Zelensky não enfrentou uma eleição, apesar do término de seu mandato devido à lei marcial imposta após a invasão.

Acompanhe tudo sobre:Vladimir PutinRússiaGuerrasVolodymyr-ZelenskyOtan

Mais de Mundo

Premier de Macron é eleito líder de bancada antes de negociação para formar governo

Presidente eleito do Irã afirma estar disposto à realizar 'diálogo construtivo' com a UE

Três pontos para prestar atenção na Convenção Republicana, que começa segunda

Argentina declara Hamas como 'organização terrorista internacional'

Mais na Exame