Psiquiatras tentam decifrar perfil do assassino de Toulouse

Criminoso teria uma personalidade paranoica ou megalômana motivada por uma 'missão'

Paris - Diferentes especialistas franceses em psiquiatria criminal estudam o perfil psicológico do assassino de Toulouse e indicam que seus atos sugerem uma personalidade paranoica ou megalômana motivada por uma 'missão' que pode não ter terminado.

O ministro do Interior francês, Claude Géant, afirmou nesta terça-feira que as testemunhas do massacre desta segunda-feira em um colégio judaico de Toulouse, no sul da França, viram uma câmera presa no tórax do assassino e acrescentou que 'muito provavelmente' ele gravou o tiroteio, seja para analisá-lo ou para divulgar as imagens.

O promotor de Paris, François Molins, destacou que tudo não passa de 'uma hipótese', mas garantiu que não descarta nenhuma pista na investigação para capturar o suposto assassino de sete pessoas: três crianças judias, o pai de duas delas e anteriormente de três militares de origem africana e antilhana.

O psiquiatra e presidente do Instituto Francês de Saúde Mental, Roland Coutanceau, explicou à Agência Efe que 'os indivíduos que cometem ações fora do normal, frequentemente, têm um lado megalômano que faz com que queiram imortalizar sua obra para justificá-la ou legitimá-la'.

Este especialista em psiquiatria criminal contempla várias hipóteses, como de que o assassino tenha gravado seus atos para fazer um manifesto de reivindicação terrorista para ilustrar seu discurso ou, de maneira não excludente, que apenas busque expor sua obra.

Em todos esses crimes estão presentes ambos elementos: 'a lógica da missão e, em menor escala, a dimensão mais individualista (...) no sentido do ego humano', acrescentou Coutanceau, para quem este último é para o agressor 'uma conquista secundária', já que 'o essencial é falar do sentido de sua luta'.


O especialista detalhou que 'muitos atos terroristas são cometidos por personalidades paranoicas' e que neste caso parece que o assassino 'não vê o ser humano', mas apenas o símbolo que representa: judeu, africano ou negro.

Por sua parte, o psicocriminólogo Jean-François Abgrall declarou ao jornal 'Le Parisien' que este assassino 'não escolhe suas vítimas por acaso', e atua contra 'categorias muito concretas'.

'Em Montauban - onde matou dois militares - inclusive poupou um pedestre porque não fazia parte de seus alvos', comentou Abgrall, para quem, como temem os investigadores, o assassino 'entrou em uma guerra', sem que haja uma lógica para que pare de matar.

Na mesma linha, Pierre Lamothe, doutor em psiquiatria e assessor do Tribunal Penal Internacional (TPI), ressaltou em declarações ao jornal 'Le Monde' que esse homem 'não dispara contra qualquer um'.

'Parece um assassino que acredita ter uma missão sagrada para cumprir e que pode ser relativamente invisível na sociedade', acrescentou.

Já o psicanalista Claude Halmos disse ao 'Le Figaro' que pode tratar-se de um indivíduo 'delirante', que confunde 'o que diz em sua cabeça com a realidade', e que é possível que queira ser capturado ou morto pela polícia.

'Mata pessoas que não conhece, que não significam nada para ele, ou seja, ataca símbolos que, em sua lógica, são legítimos de serem atacados. Por isso, pode ser que pense que o que faz é necessário', especificou Coutanceau.

Para Stéphane Bourgoin, especialista em criminologia consultado pelo jornal 'Direct Matin', não se trata 'de um doente mental, mas de um psicopata responsável por seus atos' que procura repercussão midiática e pode realizar novos atentados. 

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