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Provisões de gás à Ucrânia e à UE não correm perigo, diz CE

A Gazprom anunciou hoje o fechamento das provisões de gás à Ucrânia por não ter assinado seu pagamento por antecipado


	A Gazprom anunciou hoje o fechamento das provisões de gás à Ucrânia por não ter assinado seu pagamento por antecipado
 (Alexander Demianchuk/Reuters)

A Gazprom anunciou hoje o fechamento das provisões de gás à Ucrânia por não ter assinado seu pagamento por antecipado (Alexander Demianchuk/Reuters)

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Da Redação

1 de julho de 2015, 11h38

Bruxelas - O vice-presidente da Comissão Europeia (CE) e responsável da União Energética, Maros Sefcovic, afirmou nesta quarta-feira que o fornecimento de gás à Ucrânia e à União Europeia (UE) "não está em perigo", depois que o consórcio russo Gazprom cortou a provisão a Kiev.

"Tanto a provisão de gás à Ucrânia como o trânsito à UE não estão em perigo", indicou Sefcovic em entrevista coletiva para detalhar o resultado da última reunião trilateral de terça-feira entre a CE, Rússia e Ucrânia sobre o tráfego de gás natural russo através da Ucrânia até a Europa Ocidental, que acabou sem acordo.

O vice-presidente comunitário assegurou que "hoje estamos em uma situação totalmente diferente da vivida no ano passado, quando o gás proporcionado à Ucrânia foi interrompido totalmente".

"Hoje temos fortes mecanismos de corrente invertida (de gás, da UE à Ucrânia), estamos muito mais preparados para qualquer problema eventual com a provisão de energia", acrescentou.

A Gazprom anunciou hoje o fechamento das provisões de gás à Ucrânia por não ter assinado seu pagamento por antecipado.

Por sua vez, a estatal ucraniana Naftogaz tinha indicado a suspensão a partir deste dia das compras de gás natural da Gazprom após não chegar a um acordo sobre as condições das provisões.

Sefcovic disse que está prevista uma nova reunião em nível de analistas "provavelmente após o recesso de verão", e que confia em realizar um novo encontro em nível político em setembro.

"Para nos assegurar de que este marco é sólido, é preciso se concentrar no tema do preço do gás, nos volumes e na facilitação de apoio financeiro à Ucrânia", comentou.

Na opinião de Sefcovic, as diferenças que ainda persistem sobre este tema entre Ucrânia e Rússia "não são impossíveis de superar".

"Agora acho que estamos preparados para estas conversas, o último esforço, e conseguir acordo sobre um protocolo", concluiu.

Sobre a decisão da Naftogas de deter as aquisições da Gazprom, o vice-presidente indicou que corresponde à empresa ucraniana "decidir de quem compra o gás, porque agora há uma grande diferença desde o ano passado, têm a possibilidade de escolher a melhor opção".

Questionado se há suficiente corrente inversa de gás para que países da UE possam abastecer a Ucrânia antes do começo da temporada de inverno, o vice-presidente afirmou que a Polônia, Eslováquia e Hungria "ajudaram muito no último inverno".

"Estes três países podem fornecer à Ucrânia, sobretudo a Eslováquia", disse Sefcovic, que ressaltou que é possível "encher os depósitos de gás (ucranianos) antes que comece o inverno".

Após meses de desencontros sobre o preço do gás, incluindo um corte da provisão russa para a Ucrânia, ambos países alcançaram em outubro um acordo temporário com a mediação da UE.

A Gazprom aceitou então diminuir em US$ 100 o preço pago pela Naftogaz pelo gás, até os US$ 248 por cada mil metros cúbicos, uma tarifa muito inferior aos US$ 485 que Moscou impôs a Kiev após a queda do governo de Viktor Yanukovich em fevereiro de 2014 depois de vários meses de protestos europeístas.

O conflito sobre o preço do gás levou Rússia e Ucrânia a recorrerem ao Tribunal de Arbitragem de Estocolmo, que se pronunciará previsivelmente no outono do ano que vem.