O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do presidente ucraniano Volodymyr Zelenksy, em reunião da Otan em Ancara (Saul Loeb/AFP)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 8 de julho de 2026 às 10h21.
Última atualização em 8 de julho de 2026 às 11h01.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 8, que os americanos deverão fazer novos ataques ao Irã esta noite, horas após afirmar que considera o cessar-fogo como encerrado. Ele disse que ainda considera um novo bloqueio no Estreito de Ormuz, mas disse que as negociações continuam.
"Nós os atacamos de forma muito dura ontem à noite, muito, muito dura, e provavelmente vamos os atacar duramente de novo esta noite", disse Trump a jornalistas, ao lado do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
Trump disse que poderá fazer ataques à ilha de Kharg, que concentra a exportação de petróleo iraniano, e que avalia retomar o bloqueio americano no Estreito de Ormuz, para barrar a circulação de navios iranianos.
"Nós retiramos o bloqueio. Nós podemos colocar de volta. E seria um bloqueio só aos iranianos", afirmou.
O americano, no entanto, confirmou que as negociações com o Irã vão prosseguir. "Resolvemos oito guerras. Tenho alguns caras ótimos aqui, o Steve [Witkoff] é ótimo, e o Jared [Kushner] também. Sabe, eles são os caras certos. E vamos ver o que acontece", disse Trump, citando representantes americanos que lideram as conversas com o Irã.
Mais cedo nesta quarta-feira, Trump disse considerar que o acordo de cessar-fogo com o Irã estava acabado, após os dois países voltarem a trocar ataques.
"Para mim, acabou. Não quero negociar com eles. São pessoas doentes", disse Trump ao ser questionado sobre o futuro do entendimento entre os dois países.
O republicano ainda afirmou que o Irã seria "escória, um povo doente".
Trump, no entanto, não descartou manter negociações. "Eu vou falar com os nossos negociadores. Eles querem negociar. "Mas, até onde eu sei, é perda de tempo", completou o presidente.
A declaração foi feita poucas horas depois de Washington retomar bombardeios contra alvos iranianos. Segundo os Estados Unidos, os novos ataques foram uma resposta a supostas ações iranianas contra embarcações comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, detalhou os ataques feitos na noite de terça. "Ontem à noite, como o senhor disse, muitas pequenas embarcações foram usadas para atacar navios, e esse foi um dos principais alvos do nosso ataque. Instalações subterrâneas onde se armazenavam drones ou mísseis, locais de defesa costeira, radares, sistemas de vigilância, qualquer coisa usada para atacar navios no Estreito de Ormuz. E esta noite, se necessário, sob suas ordens, senhor Presidente, atacaremos ainda mais", afirmou.
Em retaliação, Teerã informou ter lançado mísseis e drones contra bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait, além de afirmar que parte do acordo de cessar-fogo firmado no mês passado se tornou "ineficaz" diante das medidas adotadas por Washington.
A nova escalada militar elevou os preços do petróleo ao maior nível em duas semanas e voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado.
A passagem concentra cerca de 20% do comércio marítimo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, e o fluxo de navios permanece reduzido desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que a revogação da licença para exportação de petróleo, anunciada na terça, e os novos ataques americanos inviabilizam parte do acordo firmado em junho.
O governo também voltou a alertar países da região para que não permitam o uso de seus territórios como base para novas ofensivas dos Estados Unidos.
A escalada no Oriente Médio dominou o primeiro dia da reunião da Otan. O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, classificou a resposta militar americana como "absolutamente necessária" diante das violações do cessar-fogo atribuídas ao Irã.
Líderes europeus também discutem alternativas para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, enquanto França e Reino Unido avaliam uma missão naval conjunta na região.
Durante a cúpula, Trump voltou a criticar aliados europeus por, segundo ele, não apoiarem os Estados Unidos durante o conflito com o Irã. O presidente americano também anunciou que pretende interromper relações comerciais com a Espanha, ampliando o clima de tensão entre Washington e parceiros da Otan.