Presidente de comitê olimpíco em Tóquio é forçado a renunciar por sexismo

Yoshiro Mori disse que mulheres não devem participar de comitês por "falar demais"; primeiro-ministro do Japão cancela reunião sobre os jogos olimpícos
Yoshiro Moris, presidente do comitê olimpíco em Tóquio: comentário sexista aumenta pressão por renúncia (The Asahi Shimbun/Getty Images)
Yoshiro Moris, presidente do comitê olimpíco em Tóquio: comentário sexista aumenta pressão por renúncia (The Asahi Shimbun/Getty Images)
Por Carla AranhaPublicado em 10/02/2021 14:33 | Última atualização em 10/02/2021 16:07Tempo de Leitura: 3 min de leitura

As pressões para Yoshiro Mori, presidente do comitê olímpico em Tóquio, renunciar têm aumentado nos últimos dias. Nesta quarta, dia 10, o prefeito de Tóquio, Yuriko Koike, suspendou a reunião que teria  com o responsável pela organização das Olimpíadas. Mori, que foi primeiro-ministro do Japão, tem sido alvo de críticas de sexismo. Na semana passada, ele disse que as mulheres não deveriam participar de comitês por que "falam demais" e disputam a atenção dos participantes.

"Com mulheres, as reuniões levam o dobro do tempo. Elas têm um espírito de rivalidade muito grande. Se uma levanta mão para falar, todas as demais acham que têm que fazer a mesma coisa. No final, está todo mundo falando", teria dito Mori durante uma reunião do comitê olímpico em Tóquio.

O ex-primeiro ministro, que tem 83 anos, se desculpou por sua fala, mas o assunto só vem esquetando desde então. O Japão passa por um momento em que a discussão sobre o sexismo vem ganhando mais espaço. O comentário de Mori repercutiu mal principalmente entre os mais jovens, que passaram a fazer pressão para que ele renuncie.

As novas gerações também estão cobrando um posicionamento das marcas que patrocinam as Olimpíadas. A Toyota emitiu um comunicado, no qual diz que a empresa ficou desapontada com o comportamento de Mori. Outras companhias, como a Panasonic, Fujitsu, Japan Airlines e o Mizuho Bank se posicionaram de forma semelhante.

As Olímpiadas foram canceladas no ano passado por causa da crise do coronavírus. O Japão teve que renegociar contratos com os fornecedores e as marcas em função do atraso na realização do evento, programado para julho deste ano. Segundo os organizadores, as Olimpíadas devem custar 15,4 bilhões de dólares, 22% a mais do que o valor inicialmente estipulado.

Um estudo da Universidade de Oxford mostra que essa Olimpíada é a mais cara de todos os tempos. "Os jogos olímpicos de Tóquio coincidiram com um momento atípico no mundo e precisará ser realizada em um contexto bastante difícil", disse Toshiro Muto, CEO do comitê organizador.

Diante de um cenário bastante desafiador da Covid-19, as Olimpíadas correm o risco de mais uma vez serem adiadas. Keith Mills, presidente do comitê organizador dos jogos em Londres, em 2012, tem sido uma das vozes mais proativas nesse sentido. Em uma entrevista para a BBC em janeiro, Mills disse que "já é hora de planejar o cancelamento". 

Tóquio se tornou uma das capitais mais atingidas pelo coronavírus. Com mais mil mortes diárias, a cidade enfrenta uma nova alta de casos da doença. No início de janeiro, o primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, decretou estado de calamidade pública em Tóquio. 

 

 

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