Presidente da Ferrari diz que o tempo de Berlusconi acabou

Luca Cordero di Montezemolo defendeu a formação de um governo de transição para enfrentar a crise na Itália
Luca Cordero di Montezemolo: "estão em jogo as economias dos italianos, a estabilidade social e a permanência da Itália na zona do euro'. (Mark Thompson/Getty Images)
Luca Cordero di Montezemolo: "estão em jogo as economias dos italianos, a estabilidade social e a permanência da Itália na zona do euro'. (Mark Thompson/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 31/10/2011 às 09:08.

Roma - O presidente do grupo automobilístico Ferrari e da Fundação 'Italia Futura', Luca Cordero di Montezemolo, afirmou que acabou o tempo do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e que é necessário formar um governo de transição para enfrentar a crise.

Em uma longa carta publicada nesta segunda-feira no jornal 'La Repubblica', Montezemolo defende que 'não se pode perder nem um minuto. Estão em jogo as economias dos italianos, a estabilidade social e a permanência da Itália na zona do euro'.

Por isso, ele afirma que 'o tempo acabou' e que 'Berlusconi deve entender'. Para o empresário, nem a maioria nem a oposição respondem de forma adequada.

'O Governo está paralisado por seus conflitos internos. A oposição está confundida e não é capaz de garantir o que a Europa pediu. As eleições antecipadas não representariam uma solução e paralisariam o país', afirmou.

Montezemolo defende que a única via para mudar o país é 'um Governo de saúde pública'. O nome do empresário foi citado em várias ocasiões como uma pessoa que poderia liderar um Governo técnico, embora ele sempre tenha rejeitado esta possibilidade.

A receita que o presidente da Ferrari defende para enfrentar a crise se baseia em cinco pontos, que começam com cortes das despesas da política antes de pedir maiores sacrifícios aos cidadãos, com a redução do número de parlamentares e a abolição de províncias e órgãos estatais inúteis.

Além disso, ele propõe a criação de um único contrato de trabalho, que admita despedir trabalhadores por motivos econômicos ou organizacionais, mas proteja o empregado de discriminações.

Montezemolo também defende a introdução de uma alíquota fiscal só para as rendas mais altas e realizar mudanças na aposentadoria. Além disso, ele pede investimentos e incentivos ao emprego.