Premiê da Escócia diz que renúncia de May pode gerar cenário "ainda pior"

Para escocesa, acordo "é tão ruim" que a primeira-ministra britânica "tem que prometer renunciar para aprová-lo"
Nicola Sturgeon: premiê é a favor de um novo plebiscito sobre o Brexit (Russell Cheyne/Reuters)
Nicola Sturgeon: premiê é a favor de um novo plebiscito sobre o Brexit (Russell Cheyne/Reuters)
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EFEPublicado em 28/03/2019 às 06:28.

Edimburgo (Reino Unido) — A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, afirmou nesta quarta-feira, 27, que a decisão da chefe do governo britânico, Theresa May, de oferecer sua renúncia em troca de que os conservadores apoiem seu acordo do Brexit pode levar a um cenário "ainda pior" que a atual crise política.

Em comunicado, a premiê escocesa destacou que ainda, se May deixar o cargo, a Escócia pode ficar "presa a um desagradável Brexit, que estaria conduzido por um conservador inclinado ainda mais para a direita".

Sturgeon ressaltou também que, se a retirada do bloco comum acontecer de maneira forçada por meio de um acordo "que ninguém respalda" e que "é tão ruim que a primeira-ministra tem que prometer renunciar para aprová-lo", significa que um projeto "que já era ruim, será ainda pior".

Para conseguir que seus companheiros de partido apoiem no parlamento seu tratado negociado com a União Europeia, Theresa May anunciou nesta quarta-feira que renunciará antes que comece a fase seguinte de negociações, embora tenha evitado estabelecer uma data.

A premiê escocesa reiterou que este cenário, no qual pode haver um primeiro-ministro eurocético responsável pelas futuras conversas com a UE, "reforça ainda mais o argumento de que nosso país tome seu futuro nas suas próprias mãos". Sturgeon se referiu, assim, ao pedido defendido por seu governo de que a Escócia possa realizar um segundo referendo de independência do Reino Unido - após o convocado em 2014 - já que 62% da população votou contra o divórcio com o bloco.

A primeira-ministra da Escócia já indicou que em "questão de semanas", quando ficar esclarecido quais serão os termos do Brexit, tornará públicos seus planos sobre um possível pedido formal a Londres para a realização do novo referendo.