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Policial envolvido na morte de Floyd paga fiança de R$ 3,7 mi e é solto

Thomas Lane e mais dois agentes são acusados de terem sido cúmplices de Derek Chauvin, o policial que pressionou o pescoço de Floyd por quase nove minutos

Thomas Lane: se condenado, Lane pode pegar até 40 anos de cadeia (Hennepin County Sheriff's Office/Reuters)

Thomas Lane: se condenado, Lane pode pegar até 40 anos de cadeia (Hennepin County Sheriff's Office/Reuters)

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Clara Cerioni

Publicado em 11 de junho de 2020 às 08h37.

Última atualização em 11 de junho de 2020 às 08h39.

O policial Thomas Lane, 37 anos, um dos quatro agentes envolvidos no assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, foi solto da prisão, após pagar a fiança nesta quarta-feira, 10, segundo informa a agência de notícias Reuters.

O ex-policial libertado havia sido detido sob fiança de 750 mil dólares, o equivalente a 3,7 milhões de reais.

Ele e mais dois agentes, J. Alexander Kueng e Tou Thao, foram acusados de ajuda e cumplicidade em assassinato de segundo grau e de ajuda e cumplicidade em homicídio culposo. Se condenados, eles poderão enfrentar até 40 anos de prisão.

Derek Chauvin, o policial que pressionou seu joelho sobre o pescoço de Floyd por quase nove minutos e está sendo acusado de assassinato em segundo grau, permanece na prisão. Sua fiança foi estabelecida em 1,25 milhão de dólares, o que equivale a 6,2 milhões de reais. 

Todos os policiais foram demitidos do departamento de polícia de Mineápolis.

Nesta quarta-feira, 10, os três que estão sendo acusados de cúmplices se apresentaram ao tribunal. Nenhum falou diante do juiz. Vestidos em macacões laranjas, eles apareceram separadamente em audiências consecutivas que duraram cinco minutos cada.

No Estado de Minnesota, os acusados não apresentam suas alegações em audiências preliminares.

No assassinato ocorrido no dia 25 de maio, Lane e Kueng foram filmados ajudando a pressionar Floyd no chão. Thao guardou vigia entre pessoas que assistiam a cena e os policiais que seguravam Floyd no chão.

Protestos tomam os EUA

Pelo 17º dia seguido, manifestantes voltarão às ruas de todos os Estados Unidos, dois dias após o funeral de Floyd, cuja morte sob custódia da polícia desencadeou o maior aumento de ativismo antirracista desde a era dos direitos civis nos anos 1960.

Na última terça-feira, 9, no funeral realizado em Houston, o ativista veterano dos direitos civis e reverendo Al Sharpton disse aos presentes que Floyd agora é "o pilar de um movimento que mudará o mundo inteiro".

Sharpton afirmou que a família Floyd liderará uma marcha em Washington no dia 28 de agosto para comemorar o 57º aniversário do discurso "Eu Tenho um Sonho" realizado pelo líder de direitos civis Martin Luther King Jr., que foi assassinado em 1968, nos degraus do Memorial a Lincoln.

A morte de Floyd provocou uma onda de protestos contra o racismo e os maus tratos sistemáticos de pessoas negras em cidades dos EUA.

Ela também inspirou protestos antirracismo em vários países da Europa. No Reino Unido, que tem seu próprio legado conflituoso de ex-império, estátuas de figuras históricas ligadas ao comércio de escravos foram derrubadas ou retiradas.

Embora essencialmente pacíficos, os protestos têm sido ofuscados por incêndios criminosos, saques e choques com a polícia, cujas táticas frequentemente truculentas atiçaram a revolta.

O furor também lançou o presidente Donald Trump em uma crise política. Ele ameaçou diversas vezes adotar ações duras para restaurar a ordem, mas tem tido dificuldade de unir a nação e sido incapaz de tratar da questão de desigualdade racial.

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