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Polícia chilena expulsa manifestantes antes de eleição

Policiais expulsaram manifestantes de 21 escolas de Santiago que serão utilizadas como locais de votação na eleição primária do fim de semana

Policial da tropa de choque cai durante manifestação contra o governo em Santiago, Chile (Carlos Vera/Reuters)

Policial da tropa de choque cai durante manifestação contra o governo em Santiago, Chile (Carlos Vera/Reuters)

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Da Redação

27 de junho de 2013, 14h52

Santiago - A polícia do Chile expulsou nesta quinta-feira manifestantes estudantis de 21 escolas de Santiago que serão utilizadas como locais de votação na eleição primária do fim de semana, um dia depois de uma grande marcha na capital em prol de uma reforma educacional.

O poderoso movimento estudantil do país andino tem realizado grandes protestos exigindo educação gratuita e melhor no Chile, onde milhares de estudantes têm ocupado escolas e universidades de forma intermitente ao longo dos últimos dois anos.

"Nós restauramos a ordem", disse o ministro do Interior, Andres Chadwick, em um discurso pela TV nesta quinta-feira. "À medida que o diálogo não atingiu os resultados esperados, e dado que estamos a 72 horas do início das eleições primárias, como governo tivemos a obrigação de evitar quaisquer perturbações." O ministro disse ainda que a maioria das expulsões na capital ocorreu de forma pacífica, apesar de 122 pessoas terem sido presas e de um policial ter ficado ferido.

A televisão local mostrou a polícia invadindo escolas que estavam protegidas por barricados com cadeiras e também exibiu confrontos isolados entre jovens e a polícia nesta quinta, um dia após uma marcha pela reforma da educação que atraiu dezenas de milhares de pessoas à capital. Milhares também marcharam na quarta-feira na cidade de Concepción, no sul.

O governo diz que a ocupação de escolas impede a democracia e poderia assustar os eleitores no domingo. Líderes estudantis rebatem que os governantes do Chile, classificado como o país mais desigual entre os 34 membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), não os representam.

"Eles continuam a procurar o confronto e não soluções profundas para o problema da educação", disse a ex-líder estudantil Camila Vallejo, que agora está concorrendo a uma vaga no Congresso. Outros compararam a intervenção com o tipo de tática usada durante a ditadura de Augusto Pinochet no período de 1973 a 1990.

A ex-presidente de centro-esquerda Michelle Bachelet deve vencer confortavelmente a eleição primária do seu bloco, abrindo caminho para uma vitória na eleição geral de 17 novembro.

Ela prometeu trabalhar no sentido de fornecer educação gratuita no Chile, maior produtor de cobre do mundo.