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Pelo menos três mortos em manifestações em Mianmar após noite de repressão

Centenas de manifestantes desafiaram o toque de recolher para realizar vigílias pelos mortos em protestos desde que os militares tomaram o poder

Pelo menos três pessoas foram mortas em protestos em Mianmar neste sábado (13), após uma violenta noite de repressão, na qual centenas de manifestantes desafiaram o toque de recolher para realizar vigílias pelos mortos em protestos desde que os militares tomaram o poder.

Desde o golpe de 1º de fevereiro, a junta militar que assumiu o poder reprime um movimento de protesto sem precedentes, tentando detê-lo de forma cada vez mais violenta, inclusive com munição real. Até agora, mais de 70 manifestantes morreram, de acordo com a ONU.

Grandes manifestações continuam ocorrendo em todo o país exigindo a libertação da líder Aung San Suu Kyi - presa em 1º de fevereiro - e o retorno da democracia.

Em protestos neste sábado, as forças de segurança reprimiram duramente a mobilização em Mandalay, a segunda maior cidade do país. Pelo menos três pessoas morreram e mais de 20 pessoas, incluindo um monge, ficaram feridas segundo jornalistas da AFP.

Esses incidentes ocorreram um dia após a morte de três manifestantes em Yangon, a capital econômica do país. Segundo imagens verificadas nas redes sociais, três manifestantes foram mortos a tiros durante confrontos com as forças de segurança.

Antes que esses distúrbios estourassem, centenas de manifestantes na noite de sexta-feira desafiaram o toque de recolher em vigor para realizar várias vigílias à luz de velas em todo o país.

Perto de Yangon, em Hledan - que por várias semanas foi o epicentro dos protestos - vários manifestantes carregando imagens de Suu Kyi sentaram-se e oraram, enquanto seguravam velas acesas em homenagem aos mortos nas mobilizações contra o golpe de Estado militar.

"Honrar os heróis caídos"

"Ignoramos o toque de recolher para honrar os heróis caídos", disse o ativista Thinzar Shunlei Yi à AFP.

Na manhã de sábado, o funeral de uma das vítimas, Chit Min Thu - que morreu na quinta-feira, dia que gerou um total de nove mortes - atraiu uma grande multidão, que deu a saudação simbólica de três dedos, um sinal de resistência ao novo poder, enquanto o corpo era levado ao crematório.

Um líder comunitário ligado ao governo civil deposto, Zaw Myat Linn, morreu terça-feira durante interrogatório após ser preso, de acordo com um órgão de assistência aos presos políticos.

No entanto, neste sábado a imprensa estatal afirmou que Zaw Myat Linn "saltou" do local onde se encontrava, caindo sobre um tubo de aço. A mídia oficial alertou que medidas severas seriam aplicadas contra aqueles que divulgam outras versões da morte do líder comunitário.

Na quinta-feira, o maior especialista da ONU em Mianmar, Thomas Andrews, disse ao Conselho de Direitos Humanos que "as evidências estão crescendo" de que os militares e seus oficiais de alto escalão "provavelmente cometerão crimes contra a humanidade, incluindo assassinatos, desaparecimentos forçados, perseguição, tortura e prisão em violação do (...) direito internacional".

A junta também intensificou sua repressão à imprensa, com cinco jornalistas indiciados na sexta-feira, incluindo um fotógrafo da agência Associated Press, que foi detido no mês passado enquanto cobria uma manifestação em Yangon.
Acusados de “causar medo, espalhar notícias falsas ou questionar direta ou indiretamente um funcionário do governo”, eles poderiam ser sentenciados entre dois e três anos de prisão, de acordo com a nova lei aprovada pelo conselho.

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