Partido árabe suspende apoio ao governo de Israel por protestos

No início de abril, o governo já havia perdido a maioria com a saída de um membro da direita radical; mais de 20 pessoas ficaram feridas em confrontos neste domingo
Palestino faz oração em frente à mesquita em Jerusalém, em dia de confronto (Getty Images/AHMAD GHARABLI/AFP via Getty Images)
Palestino faz oração em frente à mesquita em Jerusalém, em dia de confronto (Getty Images/AHMAD GHARABLI/AFP via Getty Images)
Por AFPPublicado em 17/04/2022 20:03 | Última atualização em 17/04/2022 20:14Tempo de Leitura: 2 min de leitura

O partido árabe-israelense Raam "suspendeu" sua participação no governo de coalizão do primeiro-ministro Naftali Bennett neste domingo (17) devido à violência na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém. Foram realizadas 18 prisões e mais de 20 pessoas ficaram feridas em confrontos entre palestinos e a polícia .

Bennett sucedeu a Benjamin Netanyahu no governo israelense em junho do ano passado, reunindo uma coalizão heterogênea que agrupa partidos de esquerda, centro e direita, mas também o Raam, que se tornou a primeira legenda árabe da história de Israel a respaldar um governo.

O apoio do Raam permitiu à coalizão alcançar o número de 61 deputados, o limite mínimo para se conseguir a maioria no Knesset, o Parlamento israelense.

No início de abril, o governo já havia perdido essa maioria com a saída de um membro da direita radical.

Agora, o partido Raam e seus quatro deputados anunciaram em um comunicado que "suspendiam" o apoio à coalizão devido aos enfrentamentos entre a polícia israelense e os manifestantes palestinos que deixaram mais de 150 feridos na sexta-feira e cerca de 20 neste domingo na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, o terceiro lugar mais sagrado do mundo para os muçulmanos.

"Se o governo continuar com suas medidas arbitrárias" na Esplanada das Mesquitas, "apresentaremos uma renúncia coletiva", acrescentou o partido em um comunicado publicado em árabe.

O congelamento da participação do Raam na coalizão não tem efeitos no curto prazo no governo de Bennett, pois os trabalhos no Knesset estão paralisados até 5 de maio.