Partido antiausteridade vence eleições gregas

Líder vencedor Alexis Tsipras anunciou que pretende negociar com os credores do país "uma nova solução viável, que beneficie todos"

O partido antiausteridade Syriza venceu as eleições legislativas deste domingo na Grécia, mas terá que esperar a apuração total dos votos para saber se conquistou a maioria absoluta.

O líder do Syriza, Alexis Tsipras, anunciou que pretende negociar com os credores do país "uma nova solução viável, que beneficie todos", após a divulgação dos primeiros resultados.

"O novo governo estará disposto a negociar pela primeira vez com nossos sócios uma solução justa, viável, duradoura, que beneficie todos", declarou Tsipras, diante de uma multidão reunida na praça da Universidade de Atenas.

"A Grécia avança com otimismo, em uma Europa que muda", afirmou, em seu primeiro discurso após a vitória eleitoral. "Temos consciência de que os gregos nos deram um cheque em branco. Temos, diante de nós, uma oportunidade importante para a Grécia e Europa", afirmou.

Sobre as negociações cruciais com os credores do país, a União Europeia e o FMI, o líder do Syriza ressaltou a disposição do futuro governo grego de participar de um diálogo sincero e abordar um plano nacional e um plano sobre a dívida".

Entre seus principais pontos, o programa econômico do Syriza compreende o fim das medidas de austeridade e a renegociação da dívida pública do país, que representa 175% do PIB.

"Não há nem vencedores, nem vencidos. Nossa prioridade é curar as feridas da crise, fazer justiça, romper com as oligarquias, o 'establishment' e a corrupção", afirmou. "A Grécia deixou para trás a austeridade desastrosa e acabou a 'troika'", assinalou.

A Grécia aguarda até o fim de fevereiro o desbloqueio da última parcela dos empréstimos acertados com o país com a condição de que sejam respeitados os compromissos firmados com os credores em relação à aplicação das reformas. Desde 2010, os credores acertaram 240 bilhões de euros em empréstimos ao país.

O conservador Antonis Samaras, atual premier, reconheceu a derrota e felicitou Tsipras em um telefonema. "Os gregos falaram, e respeitamos sua decisão", disse, na noite deste domingo, após a divulgação dos primeiros resultados parciais.

"Deixo um país que está saindo da crise e é membro da União Europeia e da zona do euro. Pelo bem deste país, espero que o próximo governo mantenha estas conquistas", assinalou o líder do partido conservador Nova Democracia.

O Syriza liderava as eleições, com uma vantagem de seis pontos sobre o partido governante, após a apuração de 38,54% dos votos.

O grupo de esquerda radical de Alexis Tsipras tinha 35,73% dos votos, contra os 28,8% do governante Nova Democracia, do premier conservador Antonis Samaras, informou o Ministério do Interior.

Sete partidos entrarão no parlamento, entre eles o neonazista Amanhecer Dourado, mas não está definido se o Syriza conseguirá as 151 cadeiras que lhe darão a maioria absoluta.

Segundo os resultados parciais, o Amanhecer Dourado estava em terceiro lugar, com 6,39% dos votos e 17 cadeiras, à frente do To Potami, novo partido de centro-esquerda, que tinha 5,77% dos votos e 16 cadeiras.

Após os resultados da boca de urna, o Syriza passou a cantar vitória. "É uma vitória histórica e uma mensagem que não afeta apenas os gregos, mas também ressoa em toda a Europa e traz alívio", comemorou o porta-voz do partido, Panos Skourletis, em entrevista ao canal de TV Mega.

Na sede da campanha eleitoral do partido esquerdista, no centro de Atenas, ninguém escondia a alegria pelo resultado, que levará o jovem partido e seu jovem líder ao poder na Grécia.

Os parceiros europeus do país, preocupados com a intenção do Syriza de renegociar a enorme dívida grega e desafiar os programas de austeridade impostos por Bruxelas, acompanhavam com atenção as eleições.

O presidente do Banco Central alemão, Jens Weidmann, pediu ao partido que "não faça promessas ilusórias" a seus cidadãos, em entrevista ao canal de TV público ARD.

Durante a campanha, Tsipras prometeu aumentar o salário mínimo, suprimir impostos para os mais pobres e negociar a dívida externa da Grécia.

Alexis Tsipras também declarou que não se considera vinculado às exigências do trio de credores - União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - que, em troca de ajuda financeira, impôs um plano drástico de austeridade econômica.

A eleição grega também dá esperanças aos partidos da esquerda radical na Europa, especialmente na Espanha, onde o partido Podemos, surgido a partir do movimento Occupy, tem crescido.

O líder do partido, Pablo Iglesias, disse neste domingo que a vitória de seu aliado Alexis Tsipras nas eleições legislativas permitirá à Grécia emancipar-se da política de austeridade ditada, segundo ele, pela Alemanha.

"Os gregos terão um presidente de verdade, não um delegado de Angela Merkel, que irá priorizar os interesses de seu país e de seu povo", declarou ao canal de TV La Sexta.

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