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Parlamento japonês propõe mudanças na sucessão imperial por escassez de homens

Japão busca equilibrar tradições milenares com intensos problemas demográficos do mundo moderno

Japão busca equilibrar valores tradicionais com problemas causados pela intensa crise demográfica que assola o país (Alexander Spatari/Getty Images)

Japão busca equilibrar valores tradicionais com problemas causados pela intensa crise demográfica que assola o país (Alexander Spatari/Getty Images)

Publicado em 14 de junho de 2026 às 06h01.

O Parlamento do Japão apresentou nesta semana uma proposta para modificar as regras de sucessão imperial diante da escassez de homens jovens aptos a herdar o trono, mas a medida aprovada não inclui a possibilidade de uma imperatriz.

A Casa Imperial é governada por regras rígidas que permitem apenas que descendentes masculinos da linha  da família imperial ascendam ao Trono do Crisântemo.

Isto significa que o futuro da Casa Imperial depende atualmente do príncipe Hisahito, de 19 anos, sobrinho do imperador Naruhito e o único homem jovem da família.

Os demais integrantes da família são mulheres ou homens de idade mais avançada. O mais jovem é justamente o pai de Hisahito e irmão do imperador, o príncipe herdeiro Akishino, de 60 anos.

Mudanças na tradição

Em uma tentativa de ampliar a minguante linha de sucessão, os legisladores apoiaram a modificação da Lei da Casa Imperial, em vigor desde 1947.

As propostas permitiriam que as mulheres mantivessem o status real mesmo após um casamento com alguém de fora da linhagem e que a família imperial adotasse parentes masculinos distantes.

O imperador Naruhito tem uma filha, a princesa Aiko, que, de acordo com a lei atual, deve deixar a família se decidir casar com alguém de fora do círculo imperial. Mesmo assim, a iniciativa não aborda a possibilidade de mulheres ascenderem ao trono, embora a ideia conte com amplo apoio popular.

"Diante de todas as opiniões divergentes, acreditamos que conseguimos produzir o melhor resultado possível", declarou o presidente da Câmara Baixa, Eisuke Mori, em entrevista coletiva antes de apresentar a proposta à primeira-ministra Sanae Takaichi.

O governo deverá agora redigir eventuais emendas e devolver o projeto ao Legislativo. Por sua vez, Mori também expressou o desejo de aprovar as mudanças antes de meados de julho.

Segundo a proposta, os homens adotados não seriam herdeiros, mas seus filhos poderiam ingressar na linha sucessória, disse Mori.

A família imperial tem atualmente 16 membros, mas apenas cinco são homens: o imperador de 66 anos e seu irmão, o príncipe Hisahito, o imperador emérito Akihito, de 92 anos, e seu irmão, de 90 anos.

Com informações da AFP

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