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Para Wagner, governo Dilma será 'teste' para PT

Governador baiano lembra que partido tem muitas diferenças positivas, mas não sabe trabalhar com elas

Jaques Wagner acredita que agora Lula terá mais tempo para a construção partidária (Marcello Casal Jr./AGÊNCIA BRASIL)

Jaques Wagner acredita que agora Lula terá mais tempo para a construção partidária (Marcello Casal Jr./AGÊNCIA BRASIL)

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Da Redação

Publicado em 31 de outubro de 2010 às 21h51.

Salvador - Logo depois de votar, na manhã de hoje, o governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse que seu partido "será testado" durante o governo de Dilma Rousseff, por causa da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da liderança política nacional. "Nossa riqueza são nossas diferenças e nossa pobreza é não saber trabalhar com elas", avalia. "Como agora não se tem mais o ponto de aglutinação do partido (Lula), a gente vai testar nossa capacidade de se unir em torno do projeto e não em torno de uma pessoa".

Para ele, o futuro do partido sem Lula no governo é uma questão "que está na cabeça de todo mundo que se envolve" com política. "O PT tem de estar aberto a receber novas ideias", afirma. "Meu problema (com o partido) é quando as tendências do PT se enrijecem e deixam de dialogar para passar a pregar e a contar votos na convenção. Aí, (o partido) põe tudo por água abaixo", acrescentou.

Segundo Wagner, porém, a saída de Lula do governo também pode ser positiva para o PT. "O presidente vai ficar como uma referência e vai continuar na vida política - não com cargos, porque não faz sentido ele ter algum cargo além de presidente de honra do partido, mas aconselhando, sugerindo", analisa. "Talvez até melhore (para o PT), porque como a figura central do partido era também a figura central do governo e agora ele deixa o governo, ele pode dedicar mais energia à construção partidária".

O governador baiano também disse ser favorável a uma aproximação do PT com o PSDB, apesar do acirramento entre os partidos durante a campanha. "A campanha teve um quadro de acirramento desnecessário, com introdução de quesitos de intolerância que acho muito preocupante, mas, em princípio, PT e PSDB têm um ideário comum", afirma. "Se for possível um diálogo produtivo, acho excelente. E estou à vontade (com a situação), porque minha relação com o PSDB na Bahia sempre foi muito boa". Durante a campanha para a eleição de 2006, que o elegeu para o primeiro mandato, Wagner teve o apoio formal dos tucanos em sua chapa.

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