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Paquistão convida delegações dos EUA e Irã para negociações nesta sexta-feira

Nesta manhã, Teerã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz, após ataques de Israel no Líbano

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 8 de abril de 2026 às 15h02.

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O Conselho Supremo de Segurança do Irã informou quarta-feira, 8, que as tratativas com os Estados Unidos terão início na sexta-feira, 10, em Islamabade, no Paquistão. O convite para o encontro das delegações foi feito diretamente pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

As conversas ocorrem após os Estados Unidos aceitarem interromper os ataques ao Irã por um período de duas semanas, desde que Teerã permita a reabertura do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, comunicou o cessar-fogo nesta terça-feira, poucas horas antes do limite estabelecido por ele ao Irã.

No entanto, nesta manhã, Teerã decidiu bloquear novamente o Estreito de Ormuz e ameaçou atacar embarcações que tentarem atravessá-lo sem autorização do governo iraniano.

O bloqueio foi anunciado após novos ataques de Israel no Líbano. Segundo a Fars, Teerã avalia abandonar o cessar-fogo recente, que previa a suspensão de ataques por duas semanas.

O acordo, mediado pelo Paquistão, incluía operações em múltiplas frentes, inclusive no território libanês. Autoridades paquistanesas haviam indicado que o Líbano fazia parte da trégua, mas o Exército israelense afirmou que seguirá com ações contra o Hezbollah.

Movimentação dos EUA diante da crise

Na tarde desta quarta-feira, 8, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente Donald Trump está enviando sua equipe de negociação, liderada pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Witkoff e por Jared Kushner, a Islamabad para conversas neste fim de semana.

“A primeira rodada dessas conversas acontecerá na manhã de sábado, horário local, e estamos ansiosos por esses encontros presenciais", informou Karoline, em coletiva de imprensa.

De acordo com a porta-voz da Casa Branca, a prioridade de Donald Trump neste momento é acelerar as negociações com Teerã para a reabertura de Ormuz sem limitações para navegação de embarcações na região.

Impacto no petróleo

Antes do bloqueio total, apenas dois petroleiros haviam conseguido atravessar o estreito desde o início do cessar-fogo. Com a interrupção, o fluxo de navios foi suspenso, afetando diretamente o transporte global de petróleo.

Autoridades iranianas afirmaram que forças armadas já definem possíveis alvos para resposta e alertaram que, caso os Estados Unidos não contenham Israel, haverá reação “com força”.

O petróleo teve a maior queda diária em seis anos nesta quarta-feira, 8, e virou o jogo nos mercados globais. O óleo do tipo Brent despencou até 16%, para a casa dos US$ 90 por barril. O movimento ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiar por duas semanas uma ofensiva contra o Irã e sinalizar espaço para negociação, segundo dados consultados pelo Trading Economics.

O movimento da sessão é o mais intenso desde 2020, período marcado pelo choque provocado pela pandemia de covid-19, quando o petróleo chegou a registrar perdas históricas em meio ao colapso da demanda global.

A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do ajuste atual: uma queda superior a 15% em um único dia não é comum e costuma estar associada a eventos extremos, indicaram informações do Trading Economics.

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