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Papa Leão XIV pede fim da 'espiral de violência' após escalada militar no Irã

Declaração foi feita durante discurso a peregrinos na Praça de São Pedro após a oração de domingo

Papa Leão XIV: pontífice fez apelo por diálogo após ataques dos EUA e de Israel ao Irã. (Alberto PIZZOLI / AFP)

Papa Leão XIV: pontífice fez apelo por diálogo após ataques dos EUA e de Israel ao Irã. (Alberto PIZZOLI / AFP)

Publicado em 1 de março de 2026 às 09h09.

O papa Leão XIV afirmou estar acompanhando com “profunda preocupação” os acontecimentos após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e fez um apelo para pôr fim ao que chamou de uma “espiral de violência”.

“Faço um apelo sincero às partes envolvidas para que assumam a responsabilidade moral de interromper a espiral de violência antes que ela se torne um abismo irreparável”, disse o papa.

“Estabilidade e paz não são construídas por meio de ameaças mútuas ou por meio de armas… mas apenas por meio de um diálogo razoável, genuíno e responsável”, afirmou o papa durante seu discurso semanal aos peregrinos na Praça de São Pedro, após a oração deste domingo, 1.

Dia um após ataques

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo, 1º, que o assassinato do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, representa uma "declaração aberta de guerra contra os muçulmanos" e legitima uma resposta de Teerã contra Israel e os Estados Unidos.

"O assassinato do mais alto cargo político da República Islâmica do Irã e destacado líder e autoridade religiosa do mundo xiita, por parte do maldito eixo americano-sionista, é considerado uma declaração aberta de guerra contra os muçulmanos, especialmente os xiitas em todos os cantos do mundo", disse Pezeshkian em comunicado.

Ali Khamenei, o aiatolá que comandou o Irã por mais de três décadas

O presidente classificou o episódio como "a maior provação que o mundo islâmico enfrenta hoje" e defendeu as represálias adotadas pelo país, com ataques a diferentes pontos do Oriente Médio, sobretudo em nações aliadas dos Estados Unidos que abrigam bases militares americanas.

"A República Islâmica do Irã considera o acerto de contas e a vingança contra os autores materiais e intelectuais deste crime histórico como seu dever e seu direito legítimo, e empregará todas as suas capacidades para cumprir com esta grande responsabilidade e obrigação", afirmou.

Segundo a agência estatal IRNA, Pezeshkian assumiu a liderança do país após a morte de Khamenei, durante um "período de transição", ao lado do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e de um jurista do Conselho dos Guardiães.

No poder desde julho de 2024, o presidente elogiou a "grande e divina liderança" de Khamenei, que, segundo ele, se apoiou "na vontade, no voto e na opinião do povo", o que "concedeu dignidade e honra à nação iraniana e foi um espinho no olho dos inimigos do Islã e do Irã".

De Trump a Khamenei: quem é quem no conflito entre EUA, Irã e Israel

Yousef Pezeshkian, filho do presidente, afirmou que tentativas de assassinar seu pai fracassaram e que ele está bem.

Também neste domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã com "uma força nunca antes vista" caso o país cumpra a promessa de vingar a morte de Khamenei com uma ofensiva contra EUA e Israel.

Apesar da ameaça, o Irã manteve pela manhã ataques contra Israel, com diferentes ondas de mísseis. As ações acionaram sirenes antiaéreas em cidades como Tel Aviv e Jerusalém e geraram explosões no céu provocadas por interceptações.

 

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