Papa Francisco descarta investigação de cardeal canadense acusado de agressão sexual

As denúncias foram feitas por uma mulher identificada com a letra "F.", que alegou ter sido agredida várias vezes pelo cardeal
Papa Francisco: papa descartou a abertura de uma "investigação canônica" do cardeal canadense Marc Ouellet (Guglielmo Mangiapane/Reuters)
Papa Francisco: papa descartou a abertura de uma "investigação canônica" do cardeal canadense Marc Ouellet (Guglielmo Mangiapane/Reuters)
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AFPPublicado em 18/08/2022 às 13:38.

O papa Francisco descartou a abertura de uma "investigação canônica" do cardeal canadense Marc Ouellet por falta de provas. Ele foi acusado em seu país de abuso sexual, disse o porta-voz do Vaticano nesta quinta-feira(18).

"O papa Francisco declara que não há elementos suficientes para abrir uma investigação canônica por agressão sexual sobre o cardeal Ouellet contra a pessoa F.", disse o porta-voz em comunicado.

As denúncias foram feitas por uma mulher identificada com a letra "F.", que alegou ter sido agredida várias vezes pelo cardeal.

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A declaração do papa foi feita após reportagens divulgadas na terça-feira no Canadá envolvendo o cardeal Ouellet, 78 anos, atual prefeito da Congregação para os Bispos, entre os cargos mais importantes do governo do Vaticano.

O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, confirmou indiretamente que o papa Francisco havia contratado o jesuíta Jacques Servais para conduzir uma "investigação preliminar" sobre essas acusações.

"A investigação preliminar confiada pelo papa ao padre Jacques Servais concluiu que não há elementos para iniciar um julgamento contra o cardeal Ouellet por agressão sexual", explica a nota.

Consultado novamente após as últimas denúncias no Canadá, "Servais confirmou que não há razões fundamentadas para abrir uma investigação sobre a agressão sexual da pessoa F. pelo Cardeal Ouellet", destaca Bruni na nota.

Para o jesuíta "nem no relatório escrito enviado ao Santo Padre, nem no depoimento via Zoom que mais tarde tomei na presença de um membro do Comitê Diocesano 'ad hoc', essa pessoa fez alguma acusação que daria origem para tal investigação", especificou.

Essa denúncia está entre os depoimentos de 101 pessoas que alegam ter sido "agredidas sexualmente" por mais de 80 membros do clero e funcionários laicos da diocese de Quebec desde junho de 1940, segundo documentos judiciais.

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