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Países do Oriente Médio se reúnem para discutir fim da guerra no Irã

Encontro reúne chanceleres sem presença de EUA, Irã e Israel, com Paquistão atuando como mediador

 (akistan Foreign Ministry /AFP)

(akistan Foreign Ministry /AFP)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 29 de março de 2026 às 14h30.

Países do Oriente Médio realizaram neste domingo uma reunião diplomática para discutir caminhos para o fim da guerra no Irã, em um movimento que ocorre sem a participação direta das principais partes envolvidas no conflito.

O encontro reuniu ministros de Relações Exteriores de quatro países e reforçou o papel do Paquistão como mediador entre Washington e Teerã.

Participaram da reunião representantes de Paquistão, Arábia Saudita, Egito e Turquia. Segundo o governo paquistanês, o objetivo foi avaliar a evolução da crise regional e alinhar posições sobre temas de interesse comum.

Os chanceleres Badr Abdellatty, do Egito, Hakan Fidan, da Turquia, e Faisal bin Farhan, da Arábia Saudita, também tiveram reuniões bilaterais com o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar.

Estados Unidos, Irã e Israel não participaram das discussões, apesar de serem atores centrais no conflito.

O Paquistão tem ampliado sua atuação como intermediador entre Teerã e Washington, facilitando a troca de mensagens em meio à escalada da guerra. O país mantém relações históricas com o Irã e conexões estratégicas com países do Golfo, além de interlocução direta com o governo americano.

No sábado, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif afirmou ter conversado por mais de uma hora com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, detalhando os esforços diplomáticos em curso. Segundo o governo paquistanês, Teerã reconheceu o papel de Islamabad nas tentativas de mediação.

O Irã também autorizou a passagem de embarcações paquistanesas pelo Estreito de Ormuz, em meio às restrições logísticas provocadas pelo conflito.

Tensões militares e negociações paralelas ampliam incerteza

Apesar dos canais diplomáticos, o cenário segue marcado por desconfiança entre as partes. O Irã evita reconhecer negociações diretas com os Estados Unidos, embora tenha enviado respostas a propostas americanas por meio do Paquistão.

Autoridades iranianas também elevaram o tom contra Washington. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de combinarem discurso diplomático com preparação militar.

Segundo ele, há movimentação de tropas americanas na região, incluindo o envio recente de cerca de 5 mil fuzileiros navais ao Golfo Pérsico e reforço de embarcações militares.

O governo iraniano afirma que responderá a qualquer ofensiva, enquanto os EUA mantêm pressão militar e diplomática simultaneamente.
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