Paciente com lúpus toma hidroxicloroquina há 19 anos e ainda tem covid-19

Na segunda-feira, o presidente Trump anunciou que estava tomando o medicamento para se prevenir de uma possível contaminação pelo novo coronavírus

A hidroxicloroquina foi apresentada pelo presidente americano Donald Trump e outras figuras públicas como uma prevenção contra o coronavírus. Segundo uma publicação feita pelo Business Insider, uma mulher de Wisconsin, nos EUA, diz que toma o medicamento há quase duas décadas para tratamento de lúpus e, apesar das recomendações de uso para prevenir não curar o coronavírus, ainda foi diagnosticada com a covid-19.

A mulher, identificada pela reportagem do WISN Channel 12  como Kim, disse em entrevista que toma hidroxicloroquina há 19 anos para tratar surtos causados ​​pelo lúpus, uma doença crônica auto-imune que utiliza do medicamento assim como outros como tratamento. As pessoas que são diagnosticadas com a doença necessitam na maioria das vezes de um acompanhamento prolongado.

Segundo Kim relatou para a entrevista, em março, ela permaneceu em quarentena devido a pandemia do coronavírus. Um mês depois ela começou a sentir sintomas como fadiga, tosse e febre. Ao procurar uma clínica para atendimento de urgência, foram feitos testes para verificar se ela teria contraído a covid-19, o que se confirmou posteriormente. Segundo ela, foram necessários sete dias de internação além do uso de oxigênio externo em sua casa.

“Quando eles deram o diagnóstico, eu senti que era uma sentença de morte. Eu pensava: ‘vou morrer'”, disse. “Cheguei a achar contraditório: como posso ficar doente? Como? Estou tomando hidroxicloroquina. Porém, os médicos diziam: ‘Bem, ninguém nunca afirmou que isso seria a cura'”.

O presidente Trump começou a promover a hidroxicloroquina em meados de março, quando anunciou em uma coletiva de imprensa que o medicamento seria disponibilizado “quase imediatamente” para tratar o novo coronavírus.

Na última segunda-feira, 18, Trump disse que estava tomando hidroxicloroquina diariamente “há semanas” para se prevenir de uma possível contaminação pelo novo coronavírus.

A hidroxicloroquina, que geralmente é prescrita para tratar a malária e doenças auto-imunes como lúpus e artrite reumatóide, não se mostrou segura ou eficaz no tratamento da covid-19, de acordo com o FDA (Food and Drug Administration).

Tratamentos para o coronavírus
Uma tabela divulgada nas redes sociais da Universidade de São Paulo (USP) na segunda-feira (18) mostra quais são os principais tratamentos disponíveis para o enfrentamento do novo
coronavírus. A lista mostra os efeitos de fármacos como a hidroxicloroquina e faz uma comparação em relação a preço, acesso, risco, evidência de eficácia e recomendação dos órgãos de saúde com outros tratamentos.

Conforme relatado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), os tratamentos com hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, têm risco elevado, pouca evidência de ser realmente eficaz e uma forte recomendação contrária ao uso do medicamento em rotina. Nos pontos positivos, destaque para o preço e para a facilidade de acesso ao fármaco.

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