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ONU pede cessar-fogo na Síria para atenuar "tragédia" do coronavírus

Falta de assistência médica no país preocupa, após 70% dos profissionais fugirem do país desde o início da guerra
Síria: Médico da ONG turca IHH informa os deslocados do campo de Kafr Lusin no noroeste do país sobre o novo coronavirus (AFP/AFP)
Síria: Médico da ONG turca IHH informa os deslocados do campo de Kafr Lusin no noroeste do país sobre o novo coronavirus (AFP/AFP)
Por AFPPublicado em 28/03/2020 12:24 | Última atualização em 28/03/2020 12:24Tempo de Leitura: 2 min de leitura

Os investigadores da Organização da Nações Unidas (ONU) na Síria pediram um cessar-fogo neste sábado para "evitar agravar a catástrofe", agora que os primeiros casos do novo coronavírus foram relatados no país já destruído por nove anos de guerra. 

"A pandemia do Covid-19 representa uma ameaça mortal para os civis sírios. Ela atacará sem distinção e será devastadora para os mais vulneráveis na ausência de ações preventivas urgentes", disse Paulo Pinheiro, presidente da Comissão de Investigação da ONU.

Até o momento, a Síria registrou cinco casos do novo coronavírus.

"Para evitar a tragédia iminente, as partes devem ouvir o apelo por um cessar-fogo do secretário-geral da ONU e do enviado especial, sob pena de condenar um grande número de civis à morte evitável", acrescentou em um comunicado.

A guerra síria, que deixou mais de 380.000 mortos, enfraqueceu consideravelmente o sistema de saúde. Apenas 65% dos hospitais e 52% dos centros de saúde primários que existiam antes de 2011 estão operando, enquanto 70% dos funcionários de saúde fugiram do país, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essa situação dramática se deve "em grande parte às forças pró-governo que miram frequentemente instalações médicas", segundo a comissão.

"Os ataques a estruturas médicas, instalações, hospitais e socorristas devem parar imediatamente", ressalta.

A pandemia ameaça particularmente os 6,5 milhões de sírios deslocados no país. Destes, mais de um milhão de civis, principalmente mulheres e crianças, estão amontoados em campos ao longo da fronteira turca na província de Idlib.