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Nova Exame

ONU diz que encontraria Musk 'na Terra ou no espaço' para discutir a fome

Após críticas de Elon Musk no Twitter, oficial da ONU disse que encontraria o bilionário "em qualquer lugar" para apresentar plano de combate à fome

O diretor do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP, na sigla em inglês) e o bilionário Elon Musk entraram em um embate no Twitter nesse fim de semana, após uma reportagem sugerir que parte da fortuna de Musk seria uma quantia relevante para combater a fome no mundo.

Ao ser questionado por Musk, David Beasley, do WFP, respondeu afirmando que o encontraria "em qualquer lugar", seja "na Terra ou no espaço", para discutir doações para o combate à fome. 

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A discussão começou após um relatório do WFP afirmar que 42 milhões de pessoas no mundo estão perto de entrar em situação de fome, e que uma injeção imediata de 6,6 bilhões de dólares poderia evitar o cenário. 

Depois disso, um usuário republicou, em tom crítico, uma matéria da rede de televisão CNN que afirmava que esse montante de 6,6 bilhões de dólares representava apenas 2% da fortuna de Elon Musk.

Marcando Musk em seu comentário, o usuário questionou: "O Programa Mundial de Alimentos da ONU levantou 8,4 bilhões de dólares em 2020. Como ele não 'resolveu a fome no mundo'?"

Musk, então, respondeu à publicação afirmando também em tom crítico: "Se o WFP puder descrever neste fio do Twitter exatamente como 6 bilhões de dólares vão resolver a fome no mundo, eu venderei ações da Tesla agora mesmo para fazer isso."

O número usado no relatório, no entanto, se tratava de evitar a deterioração da situação deste grupo específico, e não da totalidade de pessoas em situação de insegurança alimentar no mundo, que é muito maior.

Segundo o WFP, mais de 811 milhões de pessoas terminam o dia com fome, quase 10% da população mundial.

Assim, Beasley, diretor do programa da ONU, respondeu a Musk afirmando que o número não dizia respeito a "resolver a fome no mundo", mas que os 6 bilhões de dólares poderiam ajudar um grande grupo de pessoas.

"A manchete não está precisa. 6 bilhões de dólares não vai resolver a fome no mundo, mas VAI prevenir a instabilidade geopolítica, migração em massa e salvar 42 milhões de pessoas à beira da inanição. [É] Uma crise sem precedentes e uma tempestade perfeita devido à covid/conflitos/crises climáticas", disse o diretor da agência da ONU em resposta a Musk.

O fundador da Tesla rebateu dizendo que o WFP deveria publicar seu plano "e os gastos" de modo que as pessoas vendo a conversa no Twitter pudessem entender o assunto de forma "transparente".

Em resposta, o oficial da ONU disse que o encontraria "em qualquer lugar" para falar mais sobre o projeto.

"Em vez de tweets, me permita te mostrar. Nós podemos nos encontrar em qualquer lugar - Terra ou espaço -, mas eu sugiro em campo para que você veja as pessoas da WFP, processos e, sim, a tecnologia, trabalhando. Eu levarei o plano, e contas abertas", escreveu Beasley.

Com a alta das ações de sua montadora Tesla, Musk superou recentemente Jeff Bezos, presidente da Amazon, na posição de homem mais rico do mundo.

Nesta segunda-feira, 1º, a fortuna de Musk era estimada pela agência Bloomberg em 311 bilhões de dólares, ante 195 bilhões de dólares de Bezos, o segundo colocado.

O debate entre Musk e o WFP acontece em um contexto de piora nos indicadores de fome no mundo. O cenário de fome e insegurança alimentar chega a níveis preocupantes nos países mais pobres, em meio à crise econômica e preço alto dos alimentos no mercado internacional.

Em meio à pandemia, no ano passado, o WFP foi também vencedor em 2020 do Prêmio Nobel da Paz por sua atuação ao redor do mundo.

Em entrevista à EXAME neste ano, Daniel Balaban, chefe no Brasil do WFP, falou sobre a premiação no Nobel e alertou sobre como o crescimento da situação de fome no Brasil e no mundo pode aumentar a violência. “Das favelas do Rio de Janeiro a países da África, combater a fome é evitar guerras”, disse.

Lugares em guerra, como o Afeganistão, têm situação ainda pior de insegurança alimentar.

No Brasil, em meio à alta no preço dos alimentos, desemprego e inflação, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) já aponta que a fome atinge 9% dos brasileiros, com o Brasil voltando a patamares de 2004.

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