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OMS não descarta o surgimento de novos casos de hantavírus nos próximos dias

Até o momento, o surto da doença já resultou em nove casos, dos quais sete foram confirmados

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 11 de maio de 2026 às 21h05.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira, 11, que não se pode descartar o aparecimento de novos casos de hantavírus, dado o longo período de incubação da doença.

"É possível que surjam mais casos nos próximos dias ou semanas, por isso é essencial manter a vigilância", afirmou Olivier Le Polain, chefe da Unidade de Epidemiologia da OMS.

O período de incubação do hantavírus pode chegar até seis semanas, embora a média seja de três semanas entre a infecção e o início dos primeiros sintomas, explicou o especialista.

A contagem para os 94 passageiros que desembarcaram entre domingo e segunda-feira do cruzeiro de expedições polares MV Hondius, no porto de Granadilla de Abona, na ilha de Tenerife, nas Canárias, começou ontem, com um prazo de 42 dias para observação, conforme orientações do especialista.

Até o momento, o surto de hantavírus já resultou em nove casos, dos quais sete foram confirmados. O mais recente caso envolve cidadãos franceses que retornaram ao seu país. Além disso, três pessoas faleceram em decorrência da doença.

Um cidadão americano que estava no cruzeiro também testou positivo para o hantavírus. No entanto, as autoridades de saúde dos EUA indicaram que a carga viral detectada foi muito baixa, e o exame será repetido. Por isso, o caso é considerado inconclusivo, e o paciente permanece como suspeito.

Os passageiros, além de parte da tripulação, foram evacuados da embarcação, que seguirá com 28 funcionários a bordo, para auxiliar o capitão na rota até Roterdã, na Holanda.

Le Polain explicou ainda que os passageiros e tripulantes que retornam aos seus países devem se isolar, seja em suas casas ou em instalações adequadas para esse fim.

O especialista também destacou que a pessoa infectada se torna mais contagiosa no momento em que os primeiros sintomas aparecem ou até mesmo pouco antes, o que torna difícil identificar o risco, já que os sintomas iniciais podem ser leves, como cansaço ou febre baixa. Após essa fase inicial, a condição de saúde do paciente pode piorar rapidamente.

Como ocorre a transmissão do hantavírus?

Segundo o Ministério da Saúde, a infecção humana por hantavírus ocorre principalmente pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. Outras formas de transmissão para os seres humanos incluem:

  • Percutânea: por meio de escoriações na pele ou mordidas de roedores;
  • Contato com mucosas: como os olhos, boca ou nariz, através de mãos contaminadas com excretas de roedores;
  • Transmissão pessoa a pessoa: embora rara, foi relatada de forma esporádica na Argentina e Chile, sempre associada ao hantavírus Andes.

O período exato de transmissibilidade do hantavírus em seres humanos ainda é desconhecido. No entanto, estudos indicam que o período de maior viremia ocorre alguns dias antes do início dos sintomas.

Em relação ao período de incubação, ou seja, o tempo entre a infecção e o surgimento dos primeiros sintomas, a média é de 1 a 5 semanas, mas pode variar entre 3 e 60 dias.

Fatores ambientais desempenham um papel importante no aumento dos casos de hantavirose. A elevação no número de infecções está associada ao aumento da população de roedores silvestres, sendo favorecida por atividades como desmatamento desordenado, expansão urbana para áreas rurais e grandes plantações, que promovem maior contato entre seres humanos e roedores.

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