OIT: desemprego elevou insatisfação no Egito

Entre as reivindicações dos manifestantes está o aumento no número de empregos e a criação de uma federação sindical independente

Brasília – O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia, alertou hoje (3) que parte das insatisfações da população do Egito é com o elevado déficit de emprego no país. De acordo com ele, as autoridades egípcias foram advertidas sobre a necessidade de buscar solução para a ausência de oportunidades de emprego.

Para Somavia, é fundamental dar atenção aos apelos dos manifestantes que, há dez dias, protestam nas principais cidades egípcias. No Egito, o índice de desemprego em 2010 foi de 9,4%. Mas segundo especialistas, o que preocupa é o elevado percentual de jovens sem trabalho nem perspectiva. Dados gerais mostram que dois terços dos jovens com menos de 30 anos não trabalham e têm baixas perspectivas de se encaixarem no mercado de trabalho.

Nos protestos, os manifestantes, além de críticas ao governo, apelaram para a criação de uma federação sindical independente, por mais empregos, por um salário mínimo adequado, proteção social e liberdade de associação.

“Estou certo de que todos os egípcios irão encontrar uma maneira de se unir a fim de assegurar que os jovens de seu país possam ter um futuro de dignidade e trabalho decente. A OIT está disposta a prestar toda a assistência que pode ser útil para este fim”, disse o diretor-geral.

Para Somavia, o apelo da população deve ser atendido pelas autoridades egípcias. “[Solicito às autoridades do Egito para que] ouçam com atenção e sinceridade as vozes do povo”, afirmou Somavia. “A responsabilidade, em primeiro lugar, é para proporcionar empregos decentes e boas oportunidades de manter uma vida decente “, completou.

Somavia acrescentou ainda que o mundo acompanha com “respeito” as manifestações no Egito, que demonstram a força e a coragem do povo. “Será de fundamental importância que o governo e todos os outros intervenientes comprometam-se em promover uma ação pacífica para abrir o caminho para uma nova era de justiça social na história de orgulho do Egito”, disse.

Segundo o diretor-geral da OIT, o governo do presidente do Egito, Hosni Mubarak, foi alertado sobre a “gravidade do déficit de trabalho” no país, assim como os problemas decorrentes do desemprego, do subemprego e do trabalho informal. De acordo com ele, o mercado egípcio registra uma das taxas de desemprego “mais altas do mundo”.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.