Mundo

Obama prepara segundo mandato Romney mantém silêncio

Obama voltou a sua rotina diária na Casa Branca e de manhã manteve a tradicional reunião com seus assessores


	O presidente americano, Barack Obama, comemora vitória nas urnas: analistas alertam que este abrupto ajuste fiscal poderia devolver os EUA à recessão no momento mais inoportuno
 (Jason Reed/AFP)

O presidente americano, Barack Obama, comemora vitória nas urnas: analistas alertam que este abrupto ajuste fiscal poderia devolver os EUA à recessão no momento mais inoportuno (Jason Reed/AFP)

DR

Da Redação

Publicado em 8 de novembro de 2012 às 22h47.

Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começou nesta quinta-feira a preparar-se, após ter conquistado seu segundo mandato, para mudanças em seu gabinete e o risco de um abrupto ajuste fiscal, enquanto o derrotado nas eleições da terça-feira, o republicano Mitt Romney, mantém silêncio sobre seu futuro.

Obama voltou a sua rotina diária na Casa Branca e de manhã manteve a tradicional reunião com seus assessores. Também ligou para vários líderes mundiais para agradecer as felicitações por sua reeleição, entre eles a presidente Dilma Rousseff.

O presidente reeleito também conversou por telefone com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos; da França, François Hollande; a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro- ministro do Reino Unido, David Cameron.

Pela tarde tinha previsto um encontro com seu vice-presidente, Joe Biden, que disse na quarta-feira que Obama está consciente que 'resta muito trabalho a fazer' no segundo mandato que começará em janeiro e se prolongará até 2016.


O plano econômico que o presidente explicou aos eleitores em quase todo comício de campanha 'será o foco central não só nas próximas semanas, mas durante os próximos quatro anos', explicou em uma conferência telefônica com jornalistas David Plouffe, um dos principais assessores de Obama na Casa Branca.

O líder quer 'assegurar-se que os mais ricos fazem mais para reduzir nosso déficit', afirmou Plouffe em referência à proposta do presidente de aumentar os impostos às rendas mais altas dentro de seu plano para diminuir a avultada dívida pública.

Se republicanos e democratas não chegarem a um acordo no Congresso para reduzir essa dívida, o país se verá à beira do chamado 'abismo fiscal', o temido cenário no qual se combinariam drásticos cortes de gasto público e altas de impostos no início de 2013.

Os analistas alertam que este abrupto ajuste fiscal poderia devolver os EUA à recessão no momento mais inoportuno. Obama quer evitá-lo a todo custo e por isso apelou ao bipartidarismo e à unidade em seu discurso de vitória.

Esse espírito bipartidário poderia ter impacto também na remodelação do gabinete do presidente, que cogita o ex-senador Chuck Hagel, um republicano moderado que lutou na Guerra do Vietnã, para substituir o chefe do Pentágono, Leon Panetta, pronto para aposentar-se.

Obama encarregou seu assessor Pete Rouse da elaboração de listas de possíveis candidatos para todas as pastas, com especial atenção a dois pesos pesados que serão baixas quase seguras em 2013: a secretária de Estado, Hillary Clinton, e o do Tesouro, Timothy Geithner.

Em política externa uma das prioridades de Obama seguirá sendo a Ásia, a julgar pelo anúncio de hoje da Casa Branca sobre sua primeira viagem fora do país após a reeleição: Tailândia, Mianmar e Camboja entre os dias 17 e 20 de novembro.

Será a primeira vez que um presidente americano realiza uma visita oficial a Mianmar e ao Camboja.


No marco de sua política de abertura em relação a Mianmar para apoiar as reformas democráticas empreendidas por seus dirigentes, Obama se reunirá com o presidente do país asiático, o ex-general Thein Sein, e também com a líder opositora Aung San Suu Kyi, a quem recebeu na Casa Branca em setembro.

Por outro lado, quase não houve notícias a respeito de Romney, que não voltou a aparecer em público desde a noite eleitoral e não revelou ainda seus planos de futuro.

Após sua vitória, Obama afirmou que espera poder reunir-se com ele para falar sobre como trabalhar juntos para 'movimentar o país para frente'.

O ex-governador se reuniu na quarta-feira em um hotel de Boston com alguns dos principais doadores de sua campanha eleitoral.

Perante eles culpou à campanha democrata de tê-lo caracterizado como um 'inimigo' das mulheres, que votaram majoritariamente a favor da reeleição de Obama.

O jornal 'The Washington Post' assinala hoje, com base em testemunhos de vários doadores presentes na reunião, que Romney acredita que a passagem da tempestade 'Sandy' pelos EUA e a sensação generalizada que Obama administrou bem essa situação crítica detiveram o impulso que tinha alcançado na reta final da campanha.

Segundo um desses doadores que falou sob anonimato, o governador de Nova Jersey, o republicano Chris Christie, 'prejudicou' Romney com seu apoio público à forma como Obama administrou a situação.

Os números mostram que as mulheres e as minorias foram fundamentais no triunfo de Obama e hoje o senador republicano Marco Rubio, de origem cubana, recomendou que seu partido se aproxime 'das minorias e das comunidades imigrantes'.

Rubio, senador pela Flórida e uma das figuras em alta no partido, instou em comunicado o conjunto dos republicanos a 'trabalhar mais duro que nunca para transmitir às minorias suas crenças e pensamentos'. 

Acompanhe tudo sobre:Barack ObamaEleições americanasMitt RomneyPersonalidadesPolíticos

Mais de Mundo

Republicanos exigem renúncia de Biden, e democratas celebram legado

Apesar de Kamala ter melhor desempenho que Biden, pesquisas mostram vantagem de Trump após ataque

A estratégia dos republicanos para lidar com a saída de Biden

Se eleita, Kamala será primeira mulher a presidir os EUA

Mais na Exame