O que faz o novo premiê espanhol trancado no gabinete?

Rajoy não falou com a imprensa nem anunciou medidas fiscais, mas já foi cobrado por Angela Merkel e Nicolas Sarkozy para que se apresse em agir de forma eficiente

São Paulo – Até agora a rotina de Mariano Rajoy como primeiro-ministro eleito da Espanha chama a atenção por continuar exatamente igual à de antes do pleito. Segundo o jornal espanhol El País, Rajoy permanece “escondido em seu gabinete, fazendo discursos internos e evitando entrevistas coletivas”. Ele não fala com a imprensa desde a noite de domingo.

Era de se esperar. O premiê eleito com a maior margem de votos da história da democracia espanhola agora é também um dos mais cobrados. O país caminha à beira do precipício no cenário da crise europeia e o novo governante permanece sem sinalizar planos de austeridade fiscal ou que impulsionem o crescimento do país.

Dentro do gabinete, porém, as coisas parecem estar bem diferentes. Na manhã de ontem, Rajoy recebeu seu telefonema mais importante do ano. O político teve uma conversa de 20 minutos com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Segundo o El País, alguns detalhes da conversa foram passados por pessoas próximas dos dois envolvidos. Parece que Merkel adotou a política do “morde e assopra”. Ela ligou para felicitar o recém-eleito Rajoy e ofereceu uma ajuda eficiente para resolver os problemas importantes que a Espanha tem. Este foi o assopro.


Além do telefonema, Merkel enviou a Rajoy um telegrama cobrando do primeiro-ministro rapidez para adotar medidas necessárias “à Espanha e à União Europeia”. “Ele recebeu de seu povo um mandato claro para decidir e por em marcha rapidamente as reformas necessárias neste período tão difícil”, disse a mensagem da chanceler.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, também escreveu para o primeiro-ministro eleito da Espanha. Ele também falou em “ações conjuntas” imediatas entre os dois países para “fazer frente à crise econômica e financeira sem precedentes que vive a Europa”.

Sarkozy disse que espera de Rajoy a ajuda necessária para dar “uma resposta eficiente e confiável para estabelecer a estabilidade e o crescimento na zona do Euro”.

O silêncio de Rajoy deixa muitas dúvidas no ar e o mercado, implacável, responde a este resguardo. A única certeza que se tem é a de que ele está sendo cobrado – e muito. Resta saber quando e como ele vai responder.

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