O mafioso italiano que se tornou influencer para aprimorar sua marca

Vincenzo Torcasio, chefe de um dos clãs ligados à organização ’Ndrangheta, obteve sucesso nas redes. Até ser condenado a 30 anos de prisão

Todo negócio precisa se adaptar aos novos tempos digitais. Até a máfia. Uma reportagem publicada pelo jornal Financial Times mostra como Vicenzo Torcasio, um dos chefes da organização criminosa italiana ’Ndrangheta, usou o Facebook para aprimorar sua marca. A estratégia vinha funcionando, até Torcasio parar na cadeia, condenado a 30 anos de encarceramento por suas atividades mafiosas. 

Torcasio atuava nas redes sociais por meio de uma página chamada Onore E´ Dignita (honra e dignidade, em italiano). Em sua maioria, seus posts mostravam mensagens de autoajuda e motivacionais. Mas ele chegou a criticar o governo italiano por aprovar regras mais duras de conduta a mafiosos encarcerados. A página foi criada em 2012 e desativada em 2017. O mafioso chegou a ter cerca de 20 mil seguidores. 

Segundo especialistas em máfia ouvidos pelo Financial Times, o uso da mídia por mafiosos não é inédito. Nos anos 80, John Gotti, famoso gangster de Nova York, se tornou uma espécie de celebridade ao investir em anúncios na TV. Sua exposição pública, no entanto, chamou atenção das autoridades e Gotti acabou preso. 

A ‘Ndrangheta é uma organização mafiosa criada na Calábria, no sudoeste da Itália. Suas principais atividades são o tráfico de drogas, a extorsão e o contrabando de armas. Seu faturamento estimado é de 44 bilhões de euros, o que a torna uma das mais poderosas máfias do mundo. 

Apesar de não ter tanta projeção internacional como a máfia siciliana, também da Itália, a ‘Ndrangheta vem expandindo suas operações fora do país de origem. Em 2018, um relatório da Comissão Parlamentar Antimáfia italiana aponta que a organização é a que mais cresce no exterior e chegou a comprar bairros inteiros de Bruxelas, na Bélgica. 

No relatório, a comissão concluiu que a ‘Ndrangheta não só opera na região da Calábria, de onde é originária, mas “exerce um papel absolutamente dominante em quase todas as regiões”.

Em setembro do ano passado, a Polícia Federal brasileira cumpriu mandados de prisão, para fins de extradição, de cidadãos italianos suspeitos de trabalhar para o braço da máfia italiana na América do Sul. Segundo a PF, “o grupo mafioso controlaria 40% dos envios globais de cocaína, sendo o principal esquema criminoso importador para a Europa”.

Um dos presos foi Nicola Assisi. considerado um dos maiores traficantes de drogas do mundo. Em 2016, o jornal Corriere Della Calabria publicou reportagem em que classificava como “o fantasma da Calábria que enche a Itália de cocaína”. 

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