Presidente da Rússia, Vladimir Putin: população carcerária cai pela metade conforme presos são adicionados aos esforços de guerra (Aleksey Babushkin/AFP)
Agência de Notícias
Publicado em 17 de maio de 2026 às 10h00.
O número de presos na Rússia caiu para 282 mil, quase metade do número registrado em 2021, em grande parte devido aos inúmeros contratos concedidos a detentos para lutar na Ucrânia, disse o Serviço Penitenciário Federal Russo.
"Se no final de 2021 tínhamos 465 mil presos, agora temos 282 mil, dos quais 85 mil estão em prisão preventiva", disse o diretor do serviço, general Arkady Gostev, à agência Tass.
Ele explicou que, entre os principais fatores que contribuem para a redução da população carcerária, está o aumento das penas que envolvem serviço comunitário ou outras alternativas à prisão, como prisão domiciliar e restrições de movimento.
Gostev reconheceu especificamente que "nos últimos tempos, o trabalho por contrato para as Forças Armadas teve um certo impacto". Ele também indicou que grande parte dos bens fabricados em prisões russas se destina ao exército e à campanha na Ucrânia.
Anualmente, observou ele, "cerca de 16.000 detentos" participam desses projetos, produzindo bens no valor aproximado de 5,5 bilhões de rublos (cerca de US$ 75 milhões).
O diretor justificou as precárias condições de muitas prisões russas apontando que "a última foi construída em 1984" e que somente este ano uma nova foi inaugurada na região de Kazan.
"Felizmente, muitas delas foram construídas em alvenaria e tijolo, e podem ser mantidas em boas condições por meio do trabalho prisional. Parte da receita gerada nos centros penitenciários é destinada ao desenvolvimento e à manutenção", afirmou.
Nos primeiros anos da guerra, a Rússia recrutou um grande número de prisioneiros, prática popularizada pelo grupo mercenário Wagner, e posteriormente aprovou leis que permitiam que réus que se alistassem para lutar na Ucrânia escapassem da justiça.