Malala se tornou um símbolo mundial da luta pelo direito à educação das meninas após sobreviver, aos 15 anos, a um atentado do Talibã no Paquistão
Repórter de ESG
Publicado em 1 de março de 2026 às 14h10.
Última atualização em 1 de março de 2026 às 14h28.
A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e uma das mais importantes vozes globais na defesa do direito à educação de mulheres, fez um apelo neste domingo, 1: pelo fim imediato da escalada da violência no Irã.
A declaração publicada no X ocorre após relatos de que um bombardeio atingiu uma escola primária feminina na província de Hormozgan, no sul do país, deixando quase 150 mortos.
“Elas eram meninas que iam à escola para aprender, com esperanças e sonhos para o seu futuro. Hoje, suas vidas foram brutalmente interrompidas”, escreveu Malala.
They were girls who went to school to learn, with hopes and dreams for their future. Today, their lives were brutally cut short.
I am heartbroken and appalled by the U.S. and Israeli strikes on Iran, including reports that a girls’ school in southern Iran was hit, resulting in…
— Malala Yousafzai (@Malala) February 28, 2026
Segundo a mídia estatal iraniana, mísseis atingiram diretamente a escola Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, durante o horário de aulas.
O balanço mais recente aponta 148 mortos e ao menos 95 feridos, entre alunas, professoras e funcionários. Equipes de resgate seguem trabalhando na remoção de escombros, enquanto familiares buscam por sobreviventes.
“Estou de coração partido e profundamente indignada com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A morte de civis, especialmente de crianças, é inconcebível, e eu a condeno de forma inequívoca", completou a ativista.
O ataque ocorreu em meio a uma ofensiva aérea conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra alvos estratégicos iranianos, que já deixou dezenas de comandantes militares e autoridades políticas mortos. As ações militares ampliaram drasticamente as tensões no Oriente Médio, levantando temores de um[grifar] conflito regional em larga escala.
O Exército de Israel afirmou neste domingo que não tem conhecimento de um ataque contra uma escola no sul do Irã e que está analisando as informações divulgadas por Teerã.
Já o Ministério da Saúde iraniano classificou o episódio como “a notícia mais amarga” do conflito até agora. Em uma publicação no X, o porta-voz Hossein Kermanpour escreveu: “Deus sabe quantos corpos de crianças ainda serão retirados dos escombros”.
Na declaração, Malala afirmou que seu coração está com as crianças, famílias e comunidades afetadas pela violência e reforçou o apelo pelo fim dos ataques.
“Sou firmemente contra a violência e o direcionamento de ataques contra escolas e civis. A escalada da violência precisa acabar. Justiça e responsabilização devem seguir”, afirmou. “Toda criança merece viver e aprender em paz.”
Malala tornou-se um símbolo mundial da luta pelo direito à educação das meninas após sobreviver, aos 15 anos, a um atentado do Talibã no Paquistão, em 2012. Ela foi baleada dentro de um ônibus escolar por defender publicamente o acesso de meninas à escola.
Dois anos depois, se tornou a pessoa mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz.
Desde então, lidera campanhas globais por meio do Fundo Malala, organização que atua em países afetados por conflitos armados, pobreza extrema e instabilidade política, promovendo projetos educacionais e pressionando governos por políticas públicas voltadas à educação feminina.
Especialistas em direito internacional humanitário alertam que escolas são instalações civis protegidas pelas Convenções de Genebra e que ataques desse tipo, se confirmados, podem configurar crime de guerra.
A tragédia intensifica a pressão internacional por um cessar-fogo e reforça o alerta sobre o impacto devastador dos conflitos armados sobre crianças e sistemas educacionais, em uma região marcada por décadas de instabilidade.
Elas eram meninas que iam à escola para aprender, com esperanças e sonhos para o seu futuro. Hoje, suas vidas foram brutalmente interrompidas.
Estou de coração partido e profundamente indignada com os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, incluindo relatos de que uma escola de meninas no sul do país foi atingida, resultando na morte e ferimentos de muitas garotas. A morte de civis, especialmente de crianças, é inconcebível, e eu a condeno de forma inequívoca.
Meu coração está com as crianças, as famílias e as comunidades afetadas pela escalada da violência em toda a região. Sou firmemente contra a violência e o ataque a escolas e civis. Faço um apelo para que a escalada da violência na região chegue ao fim. Justiça e responsabilização precisam acontecer. Todos os Estados e partes envolvidas devem cumprir suas obrigações no âmbito do direito internacional para proteger civis e salvaguardar as escolas.
Toda criança merece viver e aprender em paz.