Mundo

Netanyahu revela ser torcedor da Argentina na Copa do Mundo: 'Milei é um grande amigo de Israel'

Premier israelense associa apoio à seleção argentina à relação com Javier Milei e descarta influência de Lionel Messi

Benjamin Netanyahu: primeiro-ministro de Israel (Gil Cohen Magen/Getty Images)

Benjamin Netanyahu: primeiro-ministro de Israel (Gil Cohen Magen/Getty Images)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 10 de julho de 2026 às 21h39.

Tudo sobreCopa do Mundo
Saiba mais

Com Israel ausente das Copas do Mundo desde 1970 e diante da pressão internacional por boicotes à sua seleção em razão da guerra na Faixa de Gaza, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, nesta quinta-feira, que passou a torcer pela Argentina na reta final do Mundial disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.

Segundo o premiê, a escolha está relacionada à proximidade com o presidente argentino, Javier Milei, e não ao craque Lionel Messi. A declaração se soma a outras manifestações de apoio de autoridades israelenses à equipe argentina.

"Eu apoio a Argentina. Você sabe por que?", afirmou o premier durante entrevista ao Mojo Podcast, rejeitando que a preferência tenha relação com Messi. "Eles têm um presidente que é um Chabad Hassid (movimento judaico ortodoxo), ele é uma estrela, fez coisas incríveis com a economia deles [...] e Milei é um amigo de Israel".

Desde que assumiu a Presidência da Argentina, em 2023, Milei realizou três viagens oficiais a Israel. Em uma dessas visitas, em 2025, anunciou a transferência da embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém. A medida repetiu decisões adotadas por outros governos alinhados à direita após a mudança promovida por Donald Trump durante seu mandato, quando os Estados Unidos transferiram sua representação diplomática para a cidade, apesar da reação contrária de dezenas de países.

Em setembro do ano passado, Netanyahu cancelou uma viagem prevista à Argentina sob a justificativa de "razões técnicas". Nos bastidores, porém, havia preocupação com possíveis desgastes políticos e com a resistência de parte de setores locais em receber o premiê, que é alvo de uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional.

A manifestação de apoio à Argentina ocorreu poucos dias depois da partida entre argentinos e egípcios pelas oitavas de final da Copa do Mundo, marcada por forte repercussão política. Em campo, a equipe liderada por Lionel Messi venceu por 3 a 2, após sair de uma desvantagem de dois gols.

Desde o início da competição, a seleção do Egito tem demonstrado apoio público à Palestina. O técnico Hossam Hassan chegou a afirmar que "se há alguém no mundo que não se compadece do povo palestino, então essa pessoa não é humana". Após a eliminação, os egípcios reclamaram da atuação da arbitragem, considerada tendenciosa, e Hassan discutiu com um torcedor localizado no setor destinado à torcida argentina, que exibia uma bandeira de Israel em sua direção.

Também no dia da eliminação egípcia, a conta oficial do governo de Israel em espanhol na rede social X publicou uma mensagem relacionando a vitória da Argentina — e a figura de Messi — ao país.

"Você sabia que o Messi cresceu em Israel? É verdade. A casa onde o Messi passou a infância ficava em Rosário... na Rua Estado de Israel. E, bom... nós também queremos entrar nessa onda!", dizia a publicação, encerrada com um "Vamos Argentina" acompanhado das bandeiras de Israel e da Argentina.

Messi nunca manifestou posicionamentos contundentes sobre o conflito entre israelenses e palestinos em apoio a qualquer um dos lados. O jogador nasceu e foi criado em uma família católica na cidade de Rosário, na Argentina.

Quando será o jogo da Argentina na Copa?

A Argentina garantiu a classificação para as quartas de final da Copa do Mundo 2026, após vencer o Egito por 3x2 nesta terça-feira, 7.

Agora, a seleção argentina joga contra o vencedor da partida entre Colômbia e Suíça. O jogo das quartas é no próximo sábado, 11, às 22h (no horário de Brasília).

Acompanhe tudo sobre:Copa do MundoArgentinaJavier MileiIsraelBenjamin Netanyahu

Mais de Mundo

Trump ordena redução 'substancial' de exercícios militares com a Coreia do Sul

A obra que um grupo de pedreiros jamais vai esquecer: uma parede de R$ 54 milhões

Governo Trump discutiu novas sanções contra Alexandre de Moraes, diz FT

Terremoto de magnitude 7,7 deixa 53 mortos e mais de 5 mil desabrigados na Indonésia