Na pandemia, enfermeiro nos EUA ganha até US$ 8 mil por semana

Atualmente nos EUA, há cerca de 30.000 vagas abertas para enfermeiros independentes em todo o país

Por Alexandre Tanzi, da Bloomberg

Em meio à reabertura da economia e à escassez de mão de obra, várias categorias profissionais estão recebendo aumentos salariais nos EUA. Mas os reajustes mais substanciais vão para um grupo que está na linha de frente da luta contra a Covid-19: os enfermeiros independentes.

Há cerca de 30.000 vagas abertas para enfermeiros independentes em todo o país, segundo dados da SimpliFi, que faz recrutamento para o setor de saúde. A quantia representa aumento de aproximadamente 30% em relação ao pico observado no último inverno no Hemisfério Norte. E os números estão subindo. Os salários também crescem, chegando a US$ 8.000 por semana em um anúncio para uma posição de três meses.

A demanda por enfermeiros se multiplicou ao longo dos 18 meses de pandemia e bate novos recordes com a disseminação da variante delta. Por outro lado, o estresse de trabalhar durante a pandemia levou muita gente a abandonar essa profissão. Hospitais e outros centros de saúde têm dificuldades para contratar pessoas em caráter permanente e agora dependem mais dos enfermeiros independentes.

‘Novo recorde’

Esses enfermeiros não estão vinculados a um único hospital e cumprem contratos de curto prazo. Normalmente, a categoria representa apenas 3% ou 4% do quadro total de enfermagem, segundo James Quick, presidente da SimpliFi. “Agora eles representam de 8% a 10%”, disse o executivo. “O movimento é impulsionado pela demanda.”

Segundo Quick, os honorários dos enfermeiros independentes aumentaram mais de 40% nos 12 meses até agosto. Para especialistas em pronto-socorro, o salto foi de 60%. Os estados com maior número de vagas abertas para enfermeiros independentes são Flórida (aproximadamente um sexto dos pacientes internados com Covid-19 nos EUA estão em hospitais do estado), Texas e Califórnia.

Grande parte da demanda vem das atividades de pronto-socorro. Seis meses atrás, especialistas em pronto-socorro representavam 5% do recrutamento de enfermeiros independentes, de acordo com a SimpliFi. A parcela agora chega a 15%.

O motivo não é somente a variante delta. Houve acúmulo de cirurgias eletivas não realizadas no início da pandemia e pode levar 18 meses para todas essas operações adiadas irem adiante, explicou Bart Valdez, CEO de um grupo de empresas que recruta profissionais de saúde, incluindo Fastaff Travel Nursing e U.S. Nursing.

Desastres naturais como o furacão Ida, que atingiu a Louisiana no domingo, também costumam elevar a demanda por enfermeiros independentes, segundo Kathy Kohnke, vice-presidente sênior da Fastaff, que já tem muitos colaboradores em Nova Orleans lidando com a pandemia. A expectativa dela é que a necessidade de enfermeiros por lá aumente “exponencialmente”.

Embora os enfermeiros independentes sejam apenas uma solução de curto prazo para muitos hospitais no enfrentamento da pandemia, seu papel no sistema de saúde dos EUA já vinha se ampliando há muitos anos.

Isso ocorre em parte porque mais americanos não vive em um só lugar, disse Joel Tremblay, CEO da Medical Solutions. Um exemplo são moradores de estados mais frios que passam o inverno nos estados mais quentes do sul do país, trazendo influxo temporário de pacientes para os hospitais da região.

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